animada, animadíssima, vou ordenar, limpar e embelezar, mas logo, tão imediatamente, sinto vontade de comer abacaxi, folhear outra vez o livro, beber o suco e despejar a preguiça inteira entre travesseiros e sono. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres
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envelheci dos trinta para os quarenta anos…
depois vivi… vivi com tal e tanta intensidade que nada mais importa / claro, quando se vive a vida, não as plásticas de embelezamento e enganação (sou contra) /nem as dietas e convenções, estou me referindo a viver: acordar triste, chorar. estar alegre porque a borboleta é pura beleza! viste? pousou tão perto! porque hoje comprei cerejas… mas tô com saudade das laranjas / do sol de inverno… saudade do beijo apressado, de te mimar… tanto tempo longe! dos trinta anos para os quarenta era um jogo de xadrez e soluções, em cheque: entendi bem, o tempo passa… alegria transborda: sinto a exata sensação de estar aonde estou e feliz.

pai mãe tios filhos netos e…
amigos.
árvore, raiz, tronco e galhos e frutos e flores… travas, acelerações, doçuras e um EU.
filmes, livros e conversas. pois é… tanto! uma citação, outra vez:
Norberto Bobbio in O tempo da memória:
“Muitas vezes são colóquios imaginários com interlocutores reais, escritores, jornalistas, visitantes ocasionais, nos quais exprimo não só sentimentos e ressentimentos, simpatias e antipatias, intolerâncias, pequenas indignações e enormes desprezos, mas também comentários sobre os acontecimentos do dia, breves raciocínios para desfazer uma dúvida, argumentos a favor ou contra uma tese controvertida, rascunhos de artigos futuros.” Estou voltando aos meus autores preferidos, volto ao tempo, deve ser isso, voltar. Então penso no erro cometido, no que foi acerto, refaço a memória. Já esqueço isso, acrescento aquilo… coisas do eco / do vento… Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres
parágrafo
Eu acho que o VORNY era casado, por isso não passava do portão, mas vinha visitar: ficavam um tempão no portão os dois: conversavam, conversavam até a tarde ficar noite. aos domingos.
Eu era pequena / sei lá, segunda ou terceira série primária. criança quieta / sempre com ela / de manhã de tarde e de noite: comia o que ela comia / fazia o que ela mandava. Não sei se gostava de mim. Um dia, eu sei, ela me escutou dizendo ‘eu te odeio, eu te odeio’ / claro, nunca me perdoou. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

sonho
não é para ser comprado… sonho a gente não vende, nem compra, nem recebe de presente… difícil explicar. impressiona como sou tentada a explicar, quero sair por aí com cartilha de sonhos… confundo com desânimo, ânimo… credo! já não sei mais com o que eu confundo: esperança de alegria confete, cartilha é coisa de professora mesmo, não existe… o y, z, n ou m, ou o z se ajustam devagar, alfabetização é questão interior / todas as crianças ao mesmo tempo? todas separadas… todas individualmente alfabetizadas, o processo é pessoal, único, interno. vou fechar os olhos. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres
tempestade sem trovoada
a gente se recupera, mas igual é gelado… o sentimento é fraco pra ser exatamente amargura, forte para ser apenas rancor. sentimento dolorido e difícil de controlar, a lágrima ajuda… coisas de despedida, de retomada de energia, alguém me empurra, tropeço / mas não preciso conferir, apenas não desistir da caminhada, a minha… ah! tenho que voltar a usar a maiúscula… tenho que recomeçar, mesmo sem ter certeza aonde / em que lugar, exatamente, eu vou chegar. não posso desanimar, então, eu abro um livro, decoro a conjugação de um verbo, repasso a lição de análise sintática… eu recomeço. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres
vou te dar a mão, depois pensamos qual o caminho menos difícil… o que importa é não desistir.
não esperava
eu não esperava que fosse explícito. queria que fosse cuidadoso e diferenciado, mas não foi… é utilitário o amor. o jeito de amar escorre por uma canaleta que vai encher um poço longe daqui. eu o desconheço. desconheço o olhar, ou melhor, não reconheço. sim, estou ferida, mas, mas, mas, afinal, amar-te é deixar partir, e se despedir… que venha o silêncio. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres
ESTRANHO NÃO DESEJAR MAIS meus desejos
ser feliz
ser feliz, uma coisa inocente e particular, como também a lamentosa dor, ser feliz se resolve, puramente, em forma real: serve, assim, humilde como uma coisa ou morre numa coisa. Beth Mattos / 2026
autobiográfico ou preguiça?

estudar francês e ser loira / desejos

começar do começo / metade dos desejos… já tinha acontecido tanta coisa! voltar / mudar para Torres, definitivo. aventura dentro da aventura… eu IA ( do verbo IR) uauuuu! siglas engraçadas / não é inteligência artificial, nem imposto de renda: sou eu chegando em Torres com armas e bagagens e vontade. grande, enorme vontade. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres no aniversário de Valentina…foto linda! (eu acho)
