A literatura descreve, a nossa mestra, este peso de morte. Grita, faz escândalo. Evidências da vida sacodem o homem, mas, embora seja aliada, não consegue evitar /impedir que morram e sofram ou sejam mutilados… A inteligência, como o amor, vai roendo devagar as pessoas. A consciência empurra… Esquisitices que não consolam os inteligentes, ou os menos dotados. Respirar pode ser assim difícil. Ser o escolhido também: a disputa do amor quando se está desavisado é maior / perigosa. Envolvido com as benesses de ser amado / o escolhido… A inveja pegajosa destrói, mesmo a criança. Concorrer! Haja músculos! Escudos e lucidez. Ás vezes, o excesso de amor amolece… ou se transforma em armadilha. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres
O amor nos torna surdos. E da lua aos porões da terra pode-se sambar e desejar, outra vez, o poder – ah! este gosto amaldiçoado do poder está na pele e se sacode, dança e reconduz o letreiro da vida… Respirar, viver, suportar e chegar, viva, ao poder.
Je n’ai certainement pas assez de sport dans ma jeunesse pour supporter ainsi les mouvements irréguliers de mon coeur. Cela fatigue tellement, ce mouvement perpétuel du bonheur ao malheur. Avec Alice, j’alternais sans cesse entre les mouvement d’euphorie où je voulais l’emmener en week-end sur la Lune et les moments de violence intersidérale où je l’ aurais enfouie au coeur de la Terre. Je pense qu’ elle ressentait exactement la même chose. Habituellement si douce et si chuchotante, elle était capable de crier subitement, de déverser des sons stridents dans mes oreilles amoureuses. Nous étions dans la valse des tonalités. Et je n’ étais pas loin de penser que l’amour rend sourtout sourd.(p.24-25) David Foenkinos
O amor nos torna surdos. E da lua aos porões da terra pode-se sambar e desejar, outra vez, o poder – ah! este gosto amaldiçoado do poder está na pele e se sacode, dança e reconduz o letreiro da vida… Respirar, viver, suportar e chegar, viva, ao poder.
Este ensejo de seguir, dizer, escrever, e não imobilizar… Faço um esforço enorme para seguir acreditando que amanhã deve ser amanhã ensolarado, fresco, corajoso e não sonolento e ardido. Imagino flores, sinto o gosto dos chocolates, perfumo o tempo e os jasmins se acomodam míudos na janela, respiro. Respirar é preciso. Abro as pequenas gavetas, reordeno, descubro cadernetas e mistérios empilhados, reencontro a desordem numa calamidade triste… penso nas caixas, preciso voltar a investigação das fotos, dos desejos. Acordar a vida, não deixar o tempo ir contando regressivo, ou amordaçado. O cheiro dos equívocos devem se misturar aquelas alegrias certas de acreditar. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres porque São Paulo pode ser um tempo definitivo, será?
Sol. Azul e uma fresca… ainda sem ânimo. Sem pensar, sem pitangas nem amoras. Sem vontade. É o envolta…, a volta. Equívocos certos. A dor de doer, aquela água apertada. A China, o Japão. A beleza, vejo. A janela escancarada, todas as janelas, e o setimento no quarto escuro. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres
De ponta a ponta, atravessa a área o meu varal, e, se abro a janela as conversas saem pra calçada ou enfeitam a buganvílea assustada daquele lado: esqueço de molhar, de podar, de acarinhar… Mas tem noite comprida como esta de hoje, então, aproveito e vou lá pra conversar um pouco. Resolvo os problemas pendentes, os vidros mal cuidados, a poeira já sossegada, mas ativa… Resolvo o jardim dos vasos. As relações se esvaziam descuidadas… e os amigos se perdem, as folhas voam, e a vergonha desaparece. Quanto descuido! Não tem estrela no céu, noite fresca, silenciosa, domingueira. Toda uma semana pra acordar deste torpor de dormir errado, fazer errado. Que susto! Sair do susto demora, eu sei, passos pequenos e cuidados grandes! Vai passar… Elizabeth M.B. Mattos – março de 2023 – Torres
Ah…Teo, essa história de amor incondicional, é de uma ingenuidade quase maligna. Porque o amor é de natureza viva e, como tudo o que é vivo, tem suas exigências. Não tenho ilusões: é preciso, sim, fazer alguma coisa para sermos amados. Assim como é preciso fazer alguma coisa para sermos odiados. Assim como não fazer nada é, de certo modo, já estar fazendo alguma coisa. (p.204) Carla Madeira A Natureza da Mordida – Editora Record – Rio de Janeiro – 2022
Não está presente, a insanidade, apenas nas bruxas más dos contos de fadas. Sempre existiu, mas temos medo de detectar e apontar, até de diagnosticar. O limite é quando alguém começa a deixar de sentir odor, perspectiva e repete, repete, repete e se repete. Hoje lendo a Zero Hora fiquei estarrecida com a coluna do Flávio Tavares. Que pena! Que lástima! Elizabeth Menna Barreto Mattos – março de 2023 – Torres
Que nem sempre ele ouve quando chamamos. É uma deficiência progressiva causada por vagas distâncias e grandes medos. Medos ensurdecedores que nos levam a situações em que deveríamos apenas nos deixar paralisar. Parar tudo. Deixar apenas o tempo em movimento. Nem respirar deveríamos. Muito menos partir. Foi por ignorância que me tornei histérica, gritei o quanto pude, mas o amor estava surdo, encolhido, atolado em impotências. Não pode me ouvir. Sei que ele estava lá, nunca se afastou. Nunca nos faltou. POderíamos ter confiado, teria bastado nosso amor para nos nos faltar virtude. Tivemos pressa. (p.59) Carla Madeira A natureza da mordida