Depois de um dia gelado / sensação inverno intenso chega a noite na calçada, pequena caminhada abraçada por temperatura cálida. Nuvens brancas se é possível ser branco assim na noite… Debaixo delas / atrás delas / antes delas (sei lá como descreve / se diz isso) deve ter um céu de estrelas acesas, por isso esta luz velada, escondida em noite de inverno frio, morno e escuro / sem estrelas, mas iluminado… Confuso isso. Talvez seja apenas eu feliz, alegre, entregue aos passos do olhar a sentir meu adormecimento. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2020 – Torres
fio e corte
Coisas/pesadelos ruins terminam… Que venha o bom sono! Conexões amargas cortadas. Tempo de respirar! Exite… Respirar no sentido de libertar. Sair do julgo, tirar pesos, aliviar o caminho. Hoje estou liberta. Grata ao meu pai e a minha mãe – generosos, inteligentes, cumpri esta parte da missão. Talvez a mais pesada. Que seja bom este inverno com céu azul! Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2020 (dia 4) – Torres
inadiável
Assunto inadiável eu nunca tenho: a vida pode ser assim, avoada; meu objetivo era estar contigo, e te conhecer. Não gostaria de incomodar, mas de repente te escondes de um jeito tão peculiar! Sim. Eu tenho tempo, o meu tempo é completamente eu. Escolhi deste jeito viver a vida, a minha escolha. Mas, de repente, sito falta de ti… Não sei o meu desejo, talvez fosse também o teu desejo. E tu mesmo; será que não confias em mim? Eu te pediria… Não. Não vou pedir. ” Ademais és uma pessoa pessoa…uma pessoa…em suma, uma pessoa inteligente, e eu contava contigo… mas nesse caso isso, isso…isso… Isso é o mais importante “[…] E completa Dostoiévski: “Pois é, a inteligência é o mais importante!”(p..53) O Idiota
Vou voltar a organizar e a fazer o trabalho de F A Z E R -, e pronto. Serei outra vez eu. Com dores atrozes nas costas, acima do peso, envergonhada com as caminhadas tão curtas. Com este prazer desenfreado pelo pão com manteiga, sem o gosto do vinho. Sem a caneta tinteiro, sem o prazer… Mas, eu te prometo, voltarei para os cadernos, farei os exames regulares, e sairei do medo. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2020 – Torres
Tentativa II
Mais tento, menos coragem. É o começo. Usa máscara, e se esconde: o meio parece generoso, explicativo. Ao fim/ no final o fatal decide com suavidade as evidências. O tempo. “Mas tudo ainda estava por vir, o tempo esperava, o tempo esperava tudo, e tudo deveria vir com o tempo e por sua vez.” (p.35 – Fiódor Dostoiévski – O IDIOTA – Editora 34 – 2002 – Primeira Edição) De acordo com Paulo Hecker Filho, a diferença, o colorido aquarelado, as tintas usadas nesta ou naquela pintura se aventuram na escolha juvenil. Eu me pergunto se as escolhas são/permanecem pessoais ou de fato as circunstâncias atropelam, e a moralidade rege?! Não há simplicidade na narrativa, se escutamos pequenas histórias ditas de fadas, ou da moralidade. Será que a menina Liza, Elisa ou ElizaBeth, a Beth das calçadas da Vitor Hugo, em Petrópolis se atrapalha. Importam os detalhes? Será que os casamentos/escolhas definem mais do que o conhecimento/ensino, ou a família? Ou apenas a cidade Porto Alegre, ou Montevidéu? Ou Rio de Janeiro até São Paulo e Rio Pardo? Que estranho caminho percorri aos tropeços para escolher Torres! Torres não escolhi, estava traçado. Quando meus pais compraram um apartamento no meu nome, sinalizando um poder praiano, assinei o gosto de ter uma propriedade / casa / um aconchego meu, escolhido por eles. Porto Alegre se registrou para minhas irmãs. Não foi o pequeno apartamento carioca o meu agraciado quinhão. Foi Torres, simples assim. Guaíba guarda histórias da infância delas. Suzana escreveu / escreve com beleza particular sobre a casa da tia-avó. As histórias se misturam de forma e jeito peculiar. Se existisse mapa possível, as encruzilhadas preciosas, definitivas nos enredariam nas múltiplas escolhas e a cada uma estória/ ou a história? Tentativa Dois. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2020
desde el jardin / Jerzy Kosinsky
Descrição
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Fernando, meu amigo
Naturalmente / mas é claro, deves saber que não te esqueci. Não posso. E nesta madrugada, por algum motivo insone, talvez por ter feito tanto durante o dia (trabalho cansativo doméstico de ir e vir) não durmo. Lendo o Musil, livro denso, político, pesado quando cada frase já é um texto a ficar e a pensar (parei), e peguei o outro, um chato autor americano que renego neste momento, não vou sequer terminar a leitura, tanto o texto me aborrece! Começo a procurar ansiosa outro livro, um livro novo que eu possa, finalmente, me apaixonar, tão seca e fria estou por dentro, desmotivada! Ao menos um livro! E foi como uma reza a minha vontade. E foi Fiódor Dostoiévski – certamente já deves ter lido O IDIOTA. Editora 34, tradução de Paulo Bezerra e desenhos de Oswaldo Goeldi. Livro nas mãos, prazer. E foi febre, impressionante, vivo, e…, não adianta fugir: eles são os reis / os donos / os príncipes, o resumo do poder: os bons escritores. Escuta este parágrafo:
“Príncipe, não sei por que gostei de ti. Talvez por havê -lo encontrado num momento como esse, mas acontece que também encontrei esse aí (fez sinal para Liébediev) e não gostei dele. Vem me visitar, príncipe. Nós vamos tirar essas tuas polainazinhas, vou pôr em ti um casaco de pele de marta de primeiríssima, um colete branco ou o que tu quiseres, abarrotar teus bolsos de dinheiro, e …vamos ver Nastácia Filíppovna! Virás ou Não? […] Irei com maior prazer e lhe agradeço muito por ter gostado de mim. Pode ser até que hoje mesmo eu apareça, se tiver tempo. Porque, digo-lhe francamente, gostei muito do senhor, […]. Eu também lhe agradeço pela roupa que prometeu e pelo casaco de pele, porque dentro em breve vou realmente precisar de roupa e de um casaco de pele. Quanto a dinheiro, neste momento quase não tenho um copeque.” (p.32-33)
E eu lembrei de ti. Do teu gostar. O mesmo olhar, a mesma decisão, a mesma firmeza, e fui presenteada generosamente. Vamos escrever a história. Obrigada. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2020 – Torres

dois astronautas
Dois astronautas direto para a Lua. Lindo o lançamento do foguete. Antes, mundo da lua, seria no lugar impossível, aquele alienado e particular lugar. Agora este mundo de Lua é nosso, de todos. Beth Mattos 30 de maio de 2020 / Torres
tentativa 1
Determinada, insegura e atrapalhada. Começo. Tento ser livre e escrever com coragem: no fundo do rio, sem correnteza, exercito os pulmões. Respirar menos… Beth Mattos
laborioso
desafio
…pensar na profundeza do mar e da terra, na beleza interior. E no espaço que ocupa dentro do corpo. Entender o erotismo (intocado) e o desejo físico; e o espírito do amor a flutuar livre. E a sexualidade. A felicidade multiplica a possibilidade de realizações. Beth Mattos – maio de 2020 – Torres
