Athayde e Bhorer

PRIMEIRA COMUNHÃO em GUAÍBA

021

1929

021 (3)

1933

Clóvis de Athayde Bohrer e Telmo de Athayde Bohrer

sobrinhos de Otaviano Alves de Athayde

filhos de Felícia de Athayde Bohrer, a Dinda 

021 (2)

022

1935 uma lembrança do primo mais velho, Júlio de Athayde Bohrer

022 (2)

A Dinda

024

JOANA ALVES de ATHAYDE

025

Colégio Santa Catarina  Hamburgo Velho

026

ATHAYDE Bohrer e Alves de ATHAYDE

Julio de Athayde Bohrer

Clóvis de Athayde Bohrer

e Telmo de Athayde Bohrer

os primos irmãos

ANITA DE ATHAYDE e JOANA DE ATHAYDE

minha mãe Anita e minha tia Joana

filhas de Otaviano Alves de Athayde

Nesta foto Roberto Menna Barreto Mattos e Anita de Athayde Mattos

030 029

Athayde e Bohrer

Colégio São José 1935

As formandas – São Leopoldo – 1935

Anita de Athayde oradora da turma:

001

Exmo. Sr Othelo Rosa, D.D. Secretário de Educação e Saúde Pública, caro Paraninfo, Imo. Sr. Cel. Teodomiro Porto da Fonseca, Exmo Sr. Cel Antenor Barcellos de Amorim, Sr Madres e Irmãs, Caros Professores – Dona Estela Daudt  e Lucia Alencastro, Dr. Jorge Paleikat, SR. Jorge Black e Tte Mario Tompson Flores, homenageados nossos.

Meus senhores, Colegas:

“Vamos deixando um pouco de nós mesmos pelos lugares aonde  passamos e a vida é plena de momentos significativos que o tempo leva sem que os indivíduos deles se apercebam. Em tudo o que passa pela vida fica uma partícula daquilo que somos; de tudo o que se nos aparece no caminho, vai conosco algo do que seremos; e assim tudo o que nos fez vibrar fica sendo um pouco de nós mesmos enquanto, por nossa vez, aprendemos a piedade para com as coisas e para com os homens. À medida que evocamos os dias já vividos, sentimos a força que a eles nos prende e a intensidade com que influem no perpassar de novos dias. Momentos há, porém, em que a súbita transmutação de aspectos e cenários revela acontecimentos tão significativos na vida que o indivíduo se obriga a escutar o coração, enquanto a alma se comove toda inteira no turbilhonante entrechoque dos sentimentos. Para nós é chegado este momento todo palpitante de emoções. Alunas deste colégio que viu passar a nossa adolescência, eis – nos, já moças, transpondo o limiar em que ingressamos quase crianças ainda. O primeiro passo foi dado, e aqui começa a jornada. Antes de partirmos, digamos o que nos levou a solicitar do Sr. Othelo Rosa. M. D. Secretário de Educação e Saúde Pública, a honrar de paraninfar nossa turma. Nesta casa, aonde viemos dessedentar nossas inteligências com algumas gotas de sabedoria profana, e alimentar nosso espírito no estímulo da religião do Cristo, nesta casa, aprendemos a cultuar os verdadeiros valores. Daí a origem do nosso gesto. Sr. Othelo Rosa, como paraninfo nosso, permiti vos veja apresentada a mais sincera homenagem com o “obrigada’ desta turma que mereceu a partícula distinção de receber como protetor, uma das mais legítimas glórias rio-grandense, uma das figuras mais destacadas nas letras gaúchas, um dos maiores benfeitores da instrução de nosso Estado. Fale de seu valor, seu próprio nome a se impor cada vez mais como autoridade reconhecida nas questões de Ensino Sr. Othelo Rosa, as alunas mestras deste colégio, que de vossas mãos acabam de receber diploma, agradecem a gentileza com que lhes acolheste o convite, abrilhantando esta solenidade com vossa presença. (…)

Anita de Athayde

minha mãe Elizabeth Mattos

Colégio São José – São Leopoldo – 1936

005Foto – 1935

004

010

011

012

008

028

013 (2)

OTAVIANO ALVES DE ATHAYDE

meu vô materno

013 (3)

013

Colégio São José 1935

Mala pequena

Dia em abril com este abril de brilho. Sol. Quietude. Viajei dois dias para chegar ao chalé. Verde. Azul. Marrom. Bege. Tem água, árvores, areia, terra. Flores. Abri a mala pequena e peguei lápis, caderno. Antes empilhei os livros, tirei os manuscritos, também o bloco de croquis. (Depois, passarei as cores) Descalço os sapatos e levanto a saia para ter as pernas ao sol. O mar está naquele ir e vir tão parecido com o ritmo da vida. Desenho teu rosto. Acerto, menos a boca. Não é cheia…/ou é muito mais carnuda. Tem um sombreado duro. E eu te vejo empertigado, cerimonioso, inquieto. Aflito. Feliz. Vens ao meu encontro. Escolhes as cores das camisas, deixas de lado aquela bermuda que eu gosto, o que importa, chegas. Ou te olhas no espelho? A vaidade, às vezes, se perde na incerteza… Posso estar na tua vida? O que é mesmo que significa estar na vida de uma pessoa? Tu podes me explicar? Ah! Oxalá chegues logo. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2013 – Torres

IBERÊ e Giorgio de Chirico

Iberê aprendeu com o mestre o modo de trabalhar, de misturar as tintas, os pigmentos. Já o filósofo e sociólogo Jacques Leenhart lembra que há, inclusive, figuras emblemáticas que aparecem na obra de ambos, ainda que de maneira diversa ´caso dos manequins e até mesmo dos carretéis, tão caros a iconografia de Iberê.

Porto Alegre, quinta-feira, 8/12/2011 ZERO HORA

IBERÊ e Giorgio de Chirico

Os sinais

Foto0664Porto Alegre, 14 – 5 – 84

Minha muito amiga Beth,

Vou te explicar o que se passa comigo: estou com tendinite  inflamação dos tendões da mão, segundo diagnóstico do neurologista e demais especialistas que me examinaram. Para recuperar o movimento do polegar (mão esquerda), faço, diariamente, ionização, infra-vermelho e ultra-som, além da medicação específica. O tratamento dura um mês, no mínimo. Isso impede que me afaste, no momento, de Porto Alegre, salvo se for para onde possa continuar o tratamento com a mesma eficiência e regularidade. Foi por  este motivo e pelo mundaréu de água – que fez da sanga rio, do rio fez mar -, que não fui a Santa Maria[1], onde deveria assistir a inauguração da minha  exposição (Coleção da Maria), na Universidade. Talvez compareça ao encerramento se as águas e a saúde deixarem. Como já deves ter percebido, estou preocupadíssimo com este problema da mão. Sabes bem o que elas representam para mim. Também tenho imensa vontade de te ver, de te ouvir, de te falar. Não concebo que isso não seja possível numa das tuas vindas aqui. Tu se me afigura uma princesa aprisionada num castelo[2] de mentira. Não vê nesta expressão outra coisa senão o carinho deste teu velho amigo. É que te vejo num corre-corre sem descanso. Espero que estejas contente, pois quando o trabalho não é gratificante consome-se a vida sem viver. Sou muito cioso do meu tempo, porque este é a duração da vida. Jamais entendi os que procuram passar o tempo, sem se aperceberem que estão gastando o que jamais se repõe. É ver o que a maioria é programada como robô. São sonâmbulos, apenas tateiam o mundo. Quero ser lúcido, mesmo na desgraça. Para dormir, temos a eternidade…Quero saber o que pensas do que digo. Vou telefonar à tua mãe. Depois irei vê-la. Minha exposição em Porto Alegre, em setembro, inclui retratos, nova faceta da minha obra. Vou ver se consigo para ti o exemplar dos 20 anos da Zero Hora, onde somos notícia. Acho, querida Beth, que já fui além de um bilhete. Escrevendo muito ou pouco sempre o faço com coração de amigo. Espero por ti. Quero ir a Santa Cruz, mas com saúde, e sem preocupação de trabalho.

Querida Beth, muitos abraços


[1] Coleção que pertence hoje a Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, RS.

[2]Este desenho da princesa no castelo também desapareceu juntamente com algumas cartas e outros desenhos. A vida é cheia de equívocos, neles perdemos tempo, o caminho, e alguns pedaços de coisas valiosas. Objetos valiosos. E nos perdemos.

POLTRONA BURLE MARX

A poltrona BURLE MARX, da LATTOOG, é um dos sucessos: encaixes de madeira aparentes têm cortes que remetem ao traço do paisagista que dá nome à peça.

008

A base lateral MARIPOSA dá um charme diferente a qualquer ambiente: criação da Laattoog Design em 2010.

006

Em seus trabalhos, Leonardo e Pedro apostam na criatividade. Em cada uma das peças há um grande apelo estético. “Sempre que vejo peças legais aproveito para meus projetos. Já usei a Pantosh em vários deles, tanto em apartamentos quanto em escritórios” atesta o arquiteto Leandro Esteves, fã das peças da LATTOOG, fazendo referências às cadeiras e poltronas Pantosh, que nasceram a partir da fusão dos conceitos de duas peças premiadas: a cadeira Panton, do arquiteto dinamarquês Verner Panton, datada de 1968, com a poltrona Willow, do arquiteto escocês Charles Rennie Mackintosh criada entre 1902 e 1904.

Os criadores dizem que a Pantosh faz parte da série chamada Viralata, que é composta por diversas peças entre móveis, objetos e elementos arquitetônicos que são resultado de um processo de “cruzamento” entre móveis e objetos. A ideia, que traz referências fortes das raízes da cultura brasileira, recebeu o Prêmio Idea Brasil em 2009. Foi, também, finalista das premiações do Museu da Casa Brasil 2009 e da internacional If Awards 2009, em Frankfurt, na Alemanha.

A última peça premiada foi a Poltrona Temes, que venceu, em 2011, o Prêmio TOP XXI em São Paulo. O desenho também nasceu da fusão de dois ícones do desing moderno: a cadeira de Joaquim Tenreiro, projetada entre os anos 40 e 50, e a La Chaise, de Charles and Ray Eames, feita em 1948. O empresário Rogério Noel, da Casa e Forma, no Bingen, diz que as pessoas, hoje, já se preocupam com o valor agregado dos móveis. “O consumidor procura algo mais no móvel. Ele quer tecnologia, desing, qualidade. O móvel tem que ser durável e também ecologicamente correto”, diz ele, citando as peças da LATTOOG.                          

A  Lattog Desing é,hoje, uma das principais empresas de criação e fabricação de móveis no Rio. Tem a frente a dupla carioca Leonardo Lattavo e Pedro Moog, que criou seu primeiro móvel em 1999, muito antes da formalização do negócio. Era o sofá KNOT, que ainda hoje é uma das principais peças da Lattog Desing. Pedro e Leonardo contam que entre 1999 e 2003 o design e fabricação de móveis eram atividades secundárias para a dupla. Só em 1003, ao ver a capa da revista italiana com um móvel dos Irmãos Campana criado em 2002 (o sofá Boa), perceberam que deveriam levar o negócio mais a sério. Isso porque a criação tinha conceito  similar ao sofá Knot. Em 2004 a dupla começou oficialmente a produzir móveis, objetos e a fazer projetos de interiores. Em 2005 surgia o nome LATTOOG uma fusão dos sobrenomes dos dois sócios (Lattavo e Moog) – que sintetizaria o processo criativo da dupla que buscava, apesar das muitas diferenças, uma única coisa, originalidade. Apesar de pouco tempo de existência a Lattog já faturou vários prêmios e conquistou espaço em publicações nacionais e internacionais de design. Também participou de exposições dentro e fora do país,entre elas a Global Edit, em Milão, na Itália, com uma seleção de designers feita pela revista Wallpaper.

009

O banco Colméia, ao lado e no detalhe, acima, revela um grafismo semelhante ao visto em peças de artesanato.

010

CASA&CAMPO, março 2013

Banco Colméia

A CARA DO RIO

Móveis com a cara do RIO

013 - Cópia

Novos DESIGNERS CARIOCAS ABUSAM DA CRIATIVIDADE E CONQUISTAM O MERCADO

002

 Não é de hoje que móveis de designers brasileiros fazem sucesso no mercado. Humberto e Fernando Campana – mas conhecidos como os Irmãos Campana  – e Sergio Rodrigues, por exemplo, ganharam fama nacional e internacional abusando da criatividade em seus trabalhos e, hoje, servem de referência para os mais jovens. é o caso de LEONARDO LATTAVO e PEDRO MOOG, que há sete anos criaram a LATTOOG. Apesar de pouco tempo no mercado, eles já tiveram peças premiadas em concursos dentro e fora do país e estão entre s mais requisitados do mercado.

001

  A POLTRONA PANTOSH, criada pela LATTOOG foi premiada em 2009.

LATTOOG

APAIXONADA

É o texto, ou as alusões que desbravam o escritor? Como não sublinhar “apesar disso agita um poço de escuro sentimento dentro dele”? Cito, retomo, penso, divago. Como não pensar neste poço de sentimento que cada um carrega, incomunicável… E logo remexer no meu próprio poço, nos meus próprios sentimentos! “Não é bonito, mas fala como beleza, imperiosamente.” Quando a beleza é imperiosa? Quando me debruço numa emoção fervente, quando através dela tudo de melhor aflora, conversa e se manifesta? Por que eu me encanto com os olhos negros, profundos daquela pessoa, e ou desdenho os luzeiros de um olhar azul? O que estou a dizer ao sentir a beleza como força imperiosa?  Como explicar J. M. COETZEE sem devorar, e devorando os livros recortar como se fosse um quebra cabeça a ser refeito? A leitura tem este lúdico dentro da gravidade. Embarcamos. Sem passaporte, com toda a bagagem permitida. Volto a casa com bagagem mais volumosa ainda. Mais pesados volumes porque retorno com as minhas coisas, as dele, e toda a África do Sul empacotada. Todos os livros indicados a outras leituras.  É preciso ajuda de muitos homens para que eu consiga colocar os fardos em casa, e muitas horas, dias para abrir todos os caixotes. Assim é a leitura. Uma viagem surpreendente, que se alonga por tantos anos! Queria vê-lo… Queria ter autógrafos, mas estou aqui, sentada, longe, imóvel… Amontoo saudade, e já releio, aos pulos… Ele estará tão perto! Na  Universidade Federal do Rio Grande do Sul, hoje. Conversando com quem estiver lá, o COETZEE. Como mencioná-lo sem exibir duas palavras, três ou quatro? Como visitá-lo sem ler, e lendo esquecer, e assim recomeçar a ler por um motivo pessoal, mas também por todos os motivos que existem palpáveis? E eu diria: “Será que a sombra dela já está guardada em seu escuro interior? Quanto tempo mais até ela se revelar? Quando se revelar, estará preparado?”

                                             

 “De onde vem esta força, esta forma amorfa que não tem nenhuma semelhança com a Espanha nem com nada, mas apesar disso agita um poço de escuro sentimento dentro dele? Não e bonito, mas fala como beleza, imperiosamente. Por que Motherwel tem esse poder e não Pollock, nem Van Gogh, nem Rembrandt? Será o mesmo poder que faz seu coração saltar à vista de uma mulher e não de outra? Será que ‘Homenagem a República Espanhola’ corresponde a alguma forma interna de sua alma? E a mulher que estará em seu destino? Será que a sombra dela já está guardada em seu escuro interior? Quanto tempo mais até ela se revelar? Quando se revelar, estará preparado?” (p.104) – JUVENTUDE –

J.M. COETZEE nasceu na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 1940. Prêmio Nobel, 2003 – e, caso único – dois Book Prize, em 1983, por Vida e época de Michael K, e em 1999, por Desonra.

CRUCIAL 1951

012

1

DEZEMBRO DE 1951

014

 É a linguagem razão de equívocos? E a imagem? Conhecimento e personalidade? A resposta…

Luigi Pirandello (1867-1936)

“Pirandello é secreto. Autores há que se auto-revelam abertamente, enquanto outros, como ele, por alguma delicadeza d’alma de origem inibitória, preferem ficar nas estrelinhas ou em parênteses generalizadores, filosofias puláveis para o leitor comum, acostumado com o ficcionista comum que nada revelam entre parênteses… Mas Pirandello dizia. É preciso descer ao fundo das suas criações. Lá, escondida, talvez ainda sorrindo, mas sem possibilidade de um eco alegre está a face do dragão do Equívoco.

A vida para ele era um equívoco, reinterado equívoco. Sentira numa melancolia pavorosa, a insuportável limitação humana, a que deu conceito através das relativizações: a do conhecimento e a da personalidade. Só conhecemos segundo nós mesmos, e portando o conhecimento é cerrado, incomunicável, subjetivo; a verdade não se identifica com a realidade, é de cada um, propriamente não existe.” (…) P.H. Filho

013

Nova estação

Frio  manso. Solidário, com sol. Noites de lua. Estrelas. Céu tão perto da lagoa! Confusa primavera ventosa de outono. Cheiro verde! Terra no vento! Peso das cobertas! Preguiça em cama quente. Dia curto. Noite espichada… Leitura, música. Toda vontade entra no corpo querendo mais! O frio chegou com este perfume de verão. Mistura perfeita… Hora  boa de chegar, ou de sair? Elizabeth M. B. Mattos – junho – qual ano? Torres