
Palavra, suspiro!, as esquinas. Aquele café de rodoviária… A loucura de querer o mesmo querer. Ventanias na/da primavera, o teu jeito de espiar…, eu gosto. Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 2021







Onde está tua vontade de recomeçar, meu amigo. Em que que momento desaparece a inquietude. Inventário. Pacientemente, aos poucos, foste doando roupas, móveis, o luxo das lembranças. Despojado, íntegro, como sempre acreditou ser o certo. Agora apenas borboletas. Vou procurar seus/nossos amigos do tempo e do silêncio, aqueles que sabem quem és / como és… E voltaremos.
Aos netos livros infantis, ilustrados. Violas violões. Seu trabalho se movimenta colorido. Perfeito na delicadeza do olhar. Afinal, estamos contigo aqui em Paty dos Alferes. O silêncio tem voz. O céu bate em minha cabeça. Cola recolhe inventa e acerta. O prazer se dobra num sorriso comedido. Como te sinto! A lembrança na/da incoerência. Jogaremos fora dispendiosos adereços inúteis. Vamos semear flores. Ouvir o silêncio.
Sono. Tanto sono! Depois quietude. Depois de tantos outros depois inexplicáveis… Raiva, outra dor. Insuportável incerteza. Não foi dito. Depois olhar, olhar… A terra devora: pedras. Ladeira, trilha. Ternura verde. Quietude. E a beleza se explica. Alívio endurecido agônico vazio. E já uma saudade enviesada… Sim, mesmo sabendo que estás tão perto! Elizabeth M.B. Mattos – refeito em abril de 2018
Fotos de Luiza M. Domingues
Rio de Janeiro 2014
No Post Túnel do Tempo, o começo de nossa história.

Geraldo morreu. Depois da dor, da doença, do tempo de sofrer, ele se foi. Altivo, corajoso na escolha consciente de se retirar do palco, da vida mundana. E silencioso aponta o mundo como incompreensível. “Não soube do que se tratava, ”uma epígrafe. Homem íntegro. Infantil na bondade redundante, generosa, sem apego. Altruísmo? Egoísmo? Coragem? Assim nos deixamos viver. Tanto ele, como eu, nos escondemos atrás das cadeiras da sala grande enquanto os pais, e os irmãos representavam, e brilhavam. Ninguém soube como era incomum este homem… Ele. Nestes anos de ausência egoísta, sempre somos egoístas quando escolhemos ser apenas nós mesmos, nos dá exemplo de integridade. Não se esquivou ao que sempre considerou correto. Mesmo que os outros considerassem incorreto. E perdoou, perdoou consciente o desamor. Afinal estamos sempre a procurar o esteio, a tranquilidade. Silencio, e simplicidade como coroamento. Na curva da montanha está seu corpo que descansa.
Geraldo Camara Moog, 1940.
Filho de Friga Camara Moog e Clodomir Vianna Moog.
Maio de 2014, Rio de Janeiro.

Anêmonas…com as rosas amarelas, minhas preferidas!