Depois de ...

Geraldo morreu. Depois da dor, da doença, do tempo de sofrer, ele se foi. Altivo, corajoso na escolha consciente de se retirar do palco, da vida mundana. E silencioso aponta o mundo como incompreensível. “Não soube do que se tratava, ”uma epígrafe. Homem íntegro. Infantil na bondade redundante, generosa, sem apego. Altruísmo? Egoísmo? Coragem? Assim nos deixamos viver. Tanto ele, como eu, nos escondemos atrás das cadeiras da sala grande enquanto os pais, e os irmãos representavam, e brilhavam. Ninguém soube como era incomum este homem… Ele. Nestes anos de ausência egoísta, sempre somos egoístas quando escolhemos ser apenas nós mesmos, nos dá exemplo de integridade. Não se esquivou ao que sempre considerou correto. Mesmo que os outros considerassem incorreto. E perdoou, perdoou consciente o desamor. Afinal estamos sempre a procurar o esteio, a tranquilidade. Silencio, e simplicidade como coroamento. Na curva da montanha está seu corpo que descansa.

 

Geraldo Camara Moog, 1940.

Filho de Friga Camara Moog e Clodomir Vianna Moog.

Maio de 2014, Rio de Janeiro.

Depois de …

2 comentários sobre “Depois de …

    • E no entanto, apesar da palavra egoísta ter qualquer coisa de menos, o importante é SERMOS NÓS MESMOS, apesar dos pesares, portanto egoístas…Paradoxal, difícil, mas humano. Beijo

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