
Jesper Chistian Christiansen é o pintor que está na capa desta Edição de Virgínia Woolf. Perfeição.
Esforço + expedição + Coragem =
“Palavras como: “expedição à verdade”, ou “querendo dizer o que efetivamente pretendemos hoje”, logo me fisgaram. E fiquei a pensar, egocentricamente, em tudo que não consigo fazer: pertencer ao grupo, finalizar uma atividade, um fazer qualquer, ou no meu português capenga. E um não sei mais quanta coisa que me cega, paralisa, e angustia. Nunca deveria ter abandonado a televisão, nem parado de escrever, nem deixado de investigar a pintura, aqueles artistas que estão escondidos, ou perdidos. Reler Kafka, ou ler porque nem sei se era tempo, ou hora. Assim como quero voltar ao Canetti, reconhecer Proust, saber dos poemas. Voltar, fazer corretamente o dever de casa. Sair dos esconderijos. Deveria ter acreditado mais no amor, nos ídolos, nos livros, na beleza. Não sei. O fato é que deixo de pensar positivo num átimo, num susto. Então, durmo dois dias seguidos. Pateticamente emagreço. Ou engordo. Escurece. Questiono a possibilidade. Não o fantástico encontro, mas a dificuldade de chegar perto… Eu quero vôar, como já se escreveu antes, ou voar como se escreve agora, sem acento, ou ainda apenas defender o tempo, aquele momento, mas não consigo. Preciso apreender a caminhar, a falar, tudo outra vez, reaprender. Não encontro o caminho. Um permanente giro sobre si próprio, sobre um nada que não avança…
Tenho que dormir dois dias, caminhar uma tarde inteira, e voltar a respirar. Antes limpar a casa toda, passar os lençóis, arear as panelas, polir as pratas, e encerar os tabuões. E então participar da “expedição à verdade,” como propôs Walter Galvani.
























