IBERÊ CAMARGO e artes plásticas

001 (3)Conheci Iberê Camargo na Aliança Francesa de Botafogo, Rio de Janeiro, na Rua Muniz Barreto. Na sala à direita de quem entra na casa de pedra,  exposição dos carretéis. Foi em 1974. Eu seguia o curso de francês intensivo. Passamos a conversar. Estabelecemos referências. O autor de Pioneiros e Bandeirantes, o acadêmico Clodomir Vianna Moog, amigo do pintor, meu sogro. Colecionador dos imensos quadros de Iberê Camargo, possuía uma pinacoteca invejável. Sua casa na rua Marquês de Pinedo, Laranjeiras, uma festa de requinte e bom gosto. Como era possível nunca termos nos encontrado?

O curso de gravura que Iberê ministrou em Porto Alegre foi frequentado pela minha irmã mais velha, as apostilas terminaram  em livro, técnica da gravura, um dos prazeres do artista.

Pintores amigos, referência em Porto Alegre, Rio de Janeiro: Glauco Rodrigues, Carlos Scliar. Danúbio Gonçalves, Francisco Ferreira, Vitório Gheno. Darel, Carmélio Cruz.  O Glauco, por exemplo, morou na  casa da Vitor Hugo. Dele o magnífico biombo feito em nanquim (foto abaixo a maquete emoldurada). Danúbio Gonçalves sabia contar as histórias de Paris de 1950 quando ser artista poderia ser  viver na Cidade Luz.  Devo ter registro em cartas de Danúbio Gonçalves detalhes destas histórias. Referências.

Meus escritos na Revista do Globo já mencionavam pintores…1964.  Xico Stockinger, curiosamente, acabei trabalhando, por indicação da galerista Tina (Galeria Tina Zappoli – exclusividade  com  Iberê Camargo), mais tarde, na Garagem de Arte, Luciana de Abreu, Porto Alegre – galeria de Francisco Antonio Stockinger, e Itamara. Carmélio Cruz, exposições em Porto Alegre, hóspede de minha mãe Anita Mattos. Pintou dois  retratos meus, 1968 (aquarela), Porto Alegre.1970 (óleo), em Torres.

Iberê morava na rua das Palmeiras, Rio de Janeiro. Picotes de lembranças. No atelier do artista apreendi sobre cores, volume. Como eu, gostava de rezar memória.  Escreveu biografia.  Flávio Tavares e  eu trabalhamos na seleção deste material.  Conversa, café descafeinado, cigarros. A foto com Ana Maria Vianna Moog menina, no apartamento da Viúva Lacerda, Humaitá. A minha correspondência com ele inicia  nos anos setenta.

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“Querida Elizabeth: Recebi a tua carta. Vejo-te a beira do mar. Enche, pois, a tua mão de mar, e os teus olhos de luz. Na minha lembrança, tu és uma presença. Eu perdi o jeito de correr pelas praias e de me misturar com os peixes. Faz isso por mim. De Torres guardo este fragmento, por certo o mais agreste, o mais autêntico. Ao pé do penhasco, o mar enrola-se como uma grande cobra verde. Ao longe ele é sereno. A distância dá placidez as coisas. Tenho produzido pouco ou nada. Espero melhores dias. Mando-te a minha saudade que é muita.

Afetuosamente, o Iberê         

 Rio, 28 – 1 – 75.”

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