naturalmente brancos…

Longe de casa, em casa. Outra vez o verde, a grama. Cheiro, passado novo, agora, ontem. Medo. Como pude ser imprevisível! Saudade das possibilidades… Estranho tempo de refazer, voltar, rever o antes, como se objetivar fosse solução. Contudo, o esperado, o inevitável colorido, o mar mutante, o silêncio, as esquecidas possibilidades… O permanente e suficiente gosto pelas palavras mornas. Palavras: hora, nada, inquieto, energia, guerra, resíduo, perda. Entre o tanto, o nada se solidifica. Outra vez escorrega o desejo de espiar. Espiar a vida do outro como se este, então, o outro, fosse eu mesma recomeçando. E lá estão soltos, todos… A energia passa, fico quieta. O corpo reclama o excesso. Sem espelho a juventude se esparrama no gozo. O que posso fazer se as linhas se cruzam em circuito desfeito, ou mesmo pelo feito de uma soma de nada. O resultado é zero? O sentimento da real, incapacidade de continuar. Aos solavancos a vida: saltos maiores, menores, nunca linha reta. Posso ver o verde pela risca da caverna,  escondido possível tesouro. O que espero desta conversa sem fim como a colcha de retalhos, enquadrados empilhados, tecidos com lã grossa. Aquece. Enfeita o colorido quente das brincadeiras. O lúdico dos excessos. De água, de luz, de calor, do frio: céu de estrelas, caminhadas longas, água, água e mais água. Matar o que antes existiu. Socorrer?  Nem um tijolo, uma telha, uma planta a renascer. Tudo deteriora. Deixar cair… Despencamos, e, ao envelhecer perdemos cabelos, dentes, cor, sentido. Nós tropeçamos ao atravessar a rua, tropeçamos no fio da calçada, e ficamos surpresos. Tudo a escorrer! Sai o grito. No fio da calçada, olhos fixos na casa: vidraça quebrada, tinta descascada, árvore seca, janelas fechadas, trancadas. O vazio espaço de um tempo de família aos pedaços, fugidas/ finitas. Este ferrolho é o choro  seco  diante do que para sempre se foi.

Cabelos brancos, naturalmente brancos. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2012 – Torres

Torres, 2019 sem pandemia, com a Ana Maria fotografando.

Um comentário sobre “naturalmente brancos…

  1. Naturalmente ou lindamente brancos? prefiro os lindamente…. “O que espero desta conversa sem fim como a colcha de retalhos, em quadrados empilhados, tecidos com lã grossa. Aquece. Enfeita o colorido quente dos quadrados, brincadeira. O lúdico dos excessos de água, de luz, de calor, do frio: céu de estrelas, caminhadas longas, água, água e mais água. Matar o que antes existiu. Socorrer? ”
    Boas lembranças nos dão força para viver e olhar com coragem o que virá pela frente com um vida naturalmente branca de paz.

    Ana Moog

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