Madri

São muitos livros. Ou alguns. Ou todos. Impossível ler assim um depois do outro. Acontece. Este não consigo largar: Amanhã, na batalha, pensa em mim.

“Nada lhe vinha à boca e não havia expressão em seus olhos, quero dizer nenhuma expressão reconhecível, das que costumam ter um nome dado pelos adultos – de perplexidade, de ilusão, de medo, de indiferença, de confusão, de aborrecimento -; seu cenho levemente franzido devia-se a seu despertar indeciso, a nada mais, pelo menos foi o que disse a mim mesmo. Levantei-me com cuidado e me aproximei lentamente dele lentamente, sorrindo-lhe um pouco e dizendo-lhe em voz muito baixa, num sussurro: ‘Você tem de ir dormir de novo, Eugenio, é muito tarde. Vamos, tem de voltar para a cama.” Da minha altura pus a mão em seu ombro – na outra ainda o sutiã, como se fosse um guardanapo usado.” (p.24)

Javier Marías, Madri, 1951.

Editado pela Martins Fontes.

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