Os beijos tombavam

Escrever tropeça no que já foi escrito… Respiro. Transcrevo Niels Lyhne do romancista dinamarquês Jens Peter Jacobsen (1847-1885).

(…) os beijos tombavam pesadamente dos seus lábios, como perguntas hesitantes, mas não traziam alívio, não os satisfaziam. (p.155)

 

Como era possível tamanho desprezo pela própria dignidade, um tão cínico desdém por si mesma, que arrastava de cambulhada a ele próprio e a tudo que lhes tinha sido comum, lembranças e esperanças, entusiasmos e idéias sagradas! Só de pensar nisso ficava corado de raiva. Mas, enfim, estava sendo justo? Pois, por outro lado, que fizera ela senão dizer clara e lealmente: ‘ Alguma coisa me atrai para outro lado, me atrai fortemente, mas eu reconheço o teu direito, mais do que tu mesmo exiges, e aqui estou: se puderes conquistar-me, conquista-me, se não puderes, irei para o lado mais forte. ’ (p.159)

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