Ainda o pintor Carmélio Cruz

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REVISTA DO GLOBO

Falar em Carmélio é como caminhar por um imenso labirinto onde se apresentam surpresas, onde os corredores se perdem uns dos outros, nos levando ora ao topo de uma escada, ora ao começo de um precipício. Mas, mesmo assim, todos querem sabe, falar em Carmélio. Todos procuram, no homem, o pintor… O artista. Há quem se contente em saber notícias, tais como: Carmélio participou da Bienal em 1951; 2° Bienal em 1953; – 1° prêmio em desenho, e Menção Honrosa em pintura – 1957; tendo já em 1956 a Medalha de Bronze no Salão Paulista de Arte Moderna; Carmélio fazendo cinema e televisão; expondo em vários lugares do Brasil e participando VII Bienal em São Paulo em 1963; já enviando seus quadros para a Bienal deste ano.  Hoje Carmélio trabalha, cria e vive mais do que nunca: “Continuo trabalhando muito para a Bienal; exposição na Galeria Goeldi no Rio, Salão Paulista de Arte Moderna e ainda uma novidade: COMPANHIA RHODIA – criar novos padrões para tecidos – coleção 1965.” Carmélio é um cearense que carrega todo um mundo com ele. Mundo mágico, onde já existiu tristeza, lágrimas, dor. Nele está o encontro da alegria e da mágoa. É a imagem do cearense que leva o coração, ora aberto, ora fechado. É o “Carmélio-bandeirante”. (…) Explica sua cidades: “ Neste século de velocidade, do tempo-ouro, a cidade se agiganta e se transforma num bloco frio, cruel, constrangedor, apequenando o homem. Se o sol ilumina ou não a cidade ou não a cidade, se chove, isso nenhuma importância tem nessa pintura. O que importa, e muito, é o que acontece dentro da própria cidade. É o seu íntimo pungente, sofrido, vivido.”

É este Carmélio que mais se aproxima de nós. Um elo entre o mundo particular, feito de mistério, e grande compreensão do artista para com o homem – o homem simplesmente – sedento em contemplação, diante de profundo e gigantesco poço. Assim são os homens diante da arte, do belo, do horrendo da vida. […] Enfim, Carmélio volta para mais uma vez nos abrir novas janelas, e, quem sabe, alguma porta…

Texto de Beth Menna Barreto Mattos Carmélio Vai Voltar – (p.72) REVISTA DO GLOBO  N°905  Segunda Quinzena – agosto de 1965 –

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