CARTAS e diários

Diários e cartas. Alguém na intimidade. Retrato, história. Conjunto de cartas e sucessivas páginas de diário, o indivíduo. 

Novas Cartas Portuguesas: Pois que toda a literatura é uma longa carta a um interlocutor invisível, presente, possível ou futura paixão que liquidamos, alimentamos ou procuramos. E já foi dito que não interessa tanto o objeto, apenas pretexto, mas antes a paixão; e eu acrescento que não interessa tanto a paixão, apenas pretexto, mas antes o seu exercício.

Lautréamont: Il y en a qui écrivent pour rechercher les applaudissements humains, au moyen de nobles qualités du coeur que l ‘imagination invente ou qu’ ils peuvent avoir. Moi, je fais servir mon génie à peindre les délices de la cruauté!”

Umberto Eco: Não teorizamos já em outro lugar acerca da sua necessidade de ser e estar com outros, esquecido das alegrias da solidão silenciosa? Tal é a essência presente da chamada democracia, cujo mandamento parece ser: repara no que os outros fazem e segue a lei dos que forem mais numerosos; qualquer um é digno de qualquer lugar, contanto que outros se reúnam em número suficiente para elegê-lo; e quanto aos cargos não excessivamente importantes, são tirados à sorte, porque o aleatório está bem na lógica do homem-massa.”

Virgínia Woolf: A essência do snobismo é querer impressionar outras pessoas. O esnobe é uma criatura com uma mente agitada, de lebre, tão pouco satisfeita com sua posição própria que, a fim de consolidá-la, está sempre brandindo um título ou uma honra na cara das outras pessoas, para que acreditem e ajudem a acreditar naquilo que ela não acredita: que ela é, de alguma forma, uma pessoa importante. Este é um sintoma que eu observo em mim mesma. Vejam esta carta. Por que é que ela está sempre por cima de todas  as minhas cartas? Porque tem um brasão timbrado.”

Katherine Mansfield: Dezembro – Sem sombra de dúvida, sei mais que os outros: sofri mais, suportei mais. Sei com se aspira à felicidade e qual o preço de uma atmosfera de ternura, de um clima que não inspire terror. Porque será que não tento evocar estas coisas, cultivar o meu jardim? Agora, estou reduzida a ocupar o lugar de uma estranha entre estranhos. Porque não serei eu capaz de fazer sentir que sou uma autêntica força espiritual? (Mas para quê?) Ah, sim, deveria fazê-lo… tenho uma experiência que os outros não têm. Sim tem de ser…

Marguerite Duras: Li Um quarto só meu, de Virginia Woolf, e A feiticeira de Michelet. Já não tenho biblioteca alguma. Desfiz-me dela, bem como de qualquer noção de biblioteca. Acabou. Esses dois livros são como se eu tivesse aberto meu próprio corpo e minha cabeça e lesse o relato de minha vida na Idade Média, nas florestas e nas indústrias do século XIX. Quanto ao Woolf, não encontrei um único homem que o tivesse lido. Estamos separados, como ela diz em seus romances, (…)

PRA ZMXCL: Com carinho derramado, indecente, tanto desejo! Se o beijo me consome, a ausência do abraço me enlouquece. Se consegues me despir com os olhos, sem me tocar, eu arranco as roupas louca, despois vou me vestindo devagar… devagar, ao teu deleite. Preenchida da gula posso te esquecer por uns dias. Volto para casa. Sou eu organizada e pudica. Esqueço tudo para imaginar o amanhã /quando será se é verdade que virás e que será. Elizabeth M.B. Mattos / Beth Mattos março de 2021 – Torres

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