Aroeiras queimam

Volto os olhos. Velha infância de pecados. Não me converti em estatua de sal. Nem fui amaldiçoada. Ninguém me apedrejou. Caminho por Porto Alegre. Sim, foi preciso tirar as roupas, rir em voz alta, choramingar pelas praças… Gritar. Escabelar-me. Voltar a Rua Vitor Hugo, ao Petrópolis Tênis Clube, as calçada da Fernandes Vieira, tomar o bonde João Aboutt, voltar ao cinema Ritz, assistir a missa na Igreja São Sebastião. Entrar no Colégio Santa Inês, dividir a merenda com a Maria do Carmo. Chegar à Escola Estadual Rio Branco, rever as professoras. Espiar pelos muros do Colégio Israelita. Voltar pra casa caminhando pela Avenida Protásio Alves. Depois comprar balas no bar Tupi antes de ficar sentada sob os jacarandás. Ver as bonecas na vitrine… Sentir o inverno, também o verão assim desnuda… O sol queimando a pele! Preciso deste palco, desta retomada penosa para voltar a ser quem deixei pra trás … Preciso rever. Olhar a menina que brinca no pátio da casa de Ipanema. Aquela que pula no sofá contigo. A mesma que entra nos caixotes pra poder cantar, falar… Choro com espanto. Nada escorreu como deveria ter escorrido. As sutilezas da proibição são urtigas. Estou me repetindo, já disse isto antes. São aroeiras que me queimam! E pensei em jasmins … Elizabeth M.B. Mattos – Torres – 2013

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