O Gato de Botas

Se as palavras se espalhassem com verdade … Se tudo fosse dito branco no branco olho no olho … Sentiria medo. Não deve ser este uivo do vento, nem a calçada varrida que impressiona, mas esta verdade sem rumo e desvairada… Chuva! O susto do retrato, do fato, do gesto. Esta história da história que embala! E medo! Estranhamento! Brinca o amor, esconde a raiva, atropela a confiança, quebra o vaso, esparrama o mel…

E cala. Não desconfio, sei. Tu sabes. Ele também sabe. Não tem princípio, nem fim. Pensar Roma. Vaticano. Pensar Alemanha. É a França? Não. Vai outra vez pra Inglaterra…, e me espera. O Brasil se esconde. Enfeita-se roliço… O Rio de Janeiro festeja. E o gaúcho brinca de viver em São Paulo, bafeja o carioca, olha pro mar inteiro e se alegra… E o nortista? E o mineiro? E eu nem sei esta geografia toda. Calo. Não é irmão, nem primo, nem sangue, nem nome inteiro, cortado, adotado. O meio sorriso manso contamina.

Era uma vez um lobo mau. Era uma vez uma menina. Era uma vez uma vovozinha covarde. E aconteceu tudo uma vez… Todos se empertigaram na cadeira pra escutar… A vida ée Era uma Vez… Toda a fortuna que um moleiro deixou para os três filhos foi um moinho, seu asno, e um gato.” Caçulas herdam  gatos… Caçulas são padres… No Era uma Vez dos três Ursos é a cadeira do ursinho que quebra. Enfim! Há que reconstruir! Recontar, esconder, olhar, e recomeçar… Rezar. Sem verdade , exatamente como faz o Gato de Botas. Histórias educam. É pedagogia Que luxo!

 “Quando George Gruikshank, o renomado ilustrador dos romances de Dickens, leu O Gato de Botas, ficou horrorizado ao pensar de que os pais leriam aquela história para os filhos. ‘ O conto era uma sucessão de falsidades bem -sucedidas – uma brilhante aula sobre como mentir! -, um sistema de impostura recompensado pelo maior lucro mundano possível.’ E, na verdade, há pouco valor a louvar nesse gato que ameaça, lisonjeia, engana e furta no intuito de instalar seu amo como senhor do reino.” (p.236)

Contos de Fadas Edição Comentada& Ilustrada – edição,introdução e notas Maria Tatar – Jorge Zahar Editor – 2004.

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5 comentários sobre “O Gato de Botas

    • Excelentes! Nesta caso eu me escondi atrás desta ilustração… Serviu como amparo! A tristeza fica com o comportamento humano… Que segue ‘falsificando’ a verdade… Eu escrevi isto?

  1. Os contos de fadas são pedagógicos. Camufla a intenção do adulto…prática usada pra ‘educar’, ou ‘deformar’… conforme a intenção. Também eram descritivas.

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