Um taça de chá

Ela corre como sonâmbula. Tapeçarias, quadros, degraus, lustres, hóspedes, garçons, camareiras, e coisas passam voando por ela.  Algumas pessoas olham admiradas, cumprimentam, estranham que ela não veja. Não sabe, não vê.  As pernas com uma rapidez inexplicável, escadaria abaixo. Corre sem destino.  Medo insensato, inominável.

É uma penosa morte. Esfriamento e congelamento pedaço por pedaço. Terminou.

Estou liberta. Esforço diário, contínuo para vencer ao apelo das chamadas confraternizações, reencontros. Afinal estivemos todos hospedados no mesmo hotel. Há que recomeçar a costurar, pedaço por pedaço os rasgos do coração. As exigências internas… Não é uma despedida, é uma espécie de morte. Olha para a xícara de chá quente. Sim, vamos tomar o chá.

– Como está frio hoje! Ou é esta bruma cinzenta que me assusta?

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