Vender

Vender a alma, o carro, os quadros, a casa. Pagar as dívidas, e ganhar horas, dias, meses, anos! Sufoco na música… Escondida nos livros.  E tu me dizes ‘ Temos que ser competentes, para sermos loucos.’ A terrível loucura do ideal. Por que tanto desespero? Vamos apenas entregar a palavra à maresia, pras ondas, pro sal da praia e respirar.

“Tua memória há sem que houvesses,

Teu gesto, sem que fosses alguém.

Como uma brisa me estremeces

E eu choro um bem…”

Cancioneiro. Obras Completas – Fernando Pessoa (p.187)

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