O caminho com livros, letras e palavras

Quem é Amoras azuis? Como aconteceu?

VALENTINA em outubro de 2018

Surrealista como propõe uma amiga? Quais as respostas certas?

Surpresa, indignação, febre, ordem, silêncio e obrigação, também limpeza. Cheiro.

Imagino. Não sou eu. Trabalho que não tenho. Encenação faz parte da escrita – texto. Difícil fantasia. Pensar versus fazer.  Caminhar. Como beber água, ou café, ou chá, ou um uísque. Beber no sentido vital. Despejar a ideia formada. Ou a estranheza agregada. Do corpo, da sede, ou do desejo inteiro de permanecer. Uma perenidade idiota,  semente. Escrever como alimento. Exercício. Tristeza e alegria. Também a febre da leitura que transborda …

Teorizo. Como seria bom imaginar e ser ao mesmo tempo!

Para escrever não abandono, mas sublinho a ordem doméstica. Vou antes aspirar, polir e lustrar, limpar, arrumar as gavetas. Se me pretendo escrevendo, escrevendo e ainda escrevendo, preciso da beleza cheirosa. Lápis apontado (mesmo que eu vá teclar), papel. Preciso da luz. Um ou dois, três cadernos. Anotações das fichas. Livros marcados, organizados nas estantes por assuntos. Sublinhados, lidos. Dicionários. Bastante luz.

Ler é vício. Caminho de mão única. Escrevo e leio ao mesmo tempo. A rodinha que fica o, que fica a e que completa o ao.  Leitura ou escrita. Descoberta da letra. Palavra, frase, texto nos textos. Afinal, o que é?!  Chuva. Neve que derrete, sol que esquenta. Sentido limitado e restrito da palavra iluminada. Ler na fantasia, no ritmo. Com cheiro, com sabor.

Longos períodos de abstinência para afinal começar a escrever. A ideia, o tempo, maturação se faz no vazio. Fora do exercício, da compulsão, ou da beleza. Apenas o vazio, o nada. Lá estou na desordem da casa, o pó a sufocar. O desfeito, a gritaria, a roupa pra ser lavada, o doméstico invertido. A comida enlatada. O medo. Noites mal dormidas. Não escrevo. Angústia dilacera. Não escrevo, tropeço. Choramingo dores nos joelhos, nos olhos, nas pernas, enlouqueço. Não escrevo. Adoeço.

Então é preciso limpar, responder, curar, ordenar. Fechar o livro. Dormir. Embelezar a vida. Outra vez  encerar, polir, esvaziar. Respirar, escrever.  Escrever é então permanecer, recomeçar. Este  espelho a refletir, este eu que se limita, agita.

Um (1) desarrumar. Dois (2) limpar. Três (3) Olhar.  Quatro (4) ordenar.  Cinco (5) Pensar. Seis(6) Escrever. Elizabeth M.B. Mattos – Torres – 2013

 

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