Como os capitãe…

O desrespeito pelo mundo, pelas pessoas cresce. Deboche na políticos e nas propostas. Ironia através de informações festivas com tintas de verdade escandalosa. Miséria, ajustes, desenvolvimento, roubo, ladrões, assassinatos. Novos escândalos! Assustador! Como não percebem? Como consideram o mundo os que o tornam mundo?  Como não consideram o que está acontecendo? Teatro macabro. Falta de atenção? Somos todos surdos, mudos, e nem se trata de risos ou lágrimas. Perplexidade. No texto abaixo, o poético descaso com a beleza do mundo.

O que já foi dito sobre beleza?  O que já foi dito sobre observar, ver, pensar, constatar? E encontrar o possível? Tropeçar, mas caminhar…É preciso reavaliar. O primeiro gesto, a última lágrima…

 

“Como os capitães de petroleiros que esvaziam os tanques em alto mar percebem o oceano? Que percebem da paisagem rural os que poluem com cartazes as estradas das cidades? Como consideram o mundo os que o tornam mundo? Se o considerassem tão divinamente belo quanto, evidentemente, eu o percebo, respeitariam o espaço e os seres vivos que eles assassinam. […]
Hoje, nosso mundo corre perigo não apenas pelas razões que conhecemos, energéticas e duras, técnicas, financeiras ou industriais, mas talvez sobretudo, porque os responsáveis pelas decisões das grandes empresas que se estendem no espaço perderam a sensação, o sentido hominoide da beleza – hominoide porque remonta, no mínimo, às percepções e às pinturas de Lascaux; hominoide porque sapiens significa: aquele que tem gosto. Será que ele durou tanto tempo porque vivia na beleza? Não perceber equivale a perceber mal; perceber mal enfeia, enfeiar sua companheira a mata; não perceber o mundo o enfeia e o mata. Não destruímos apenas por gases devidos ao efeito estufa, mas pela cegueira, produtora de ignomínias. Não vemos mais o mundo, perdemos nossos Faróis ou os condenamos a extinguir sua luz. Quem e o que percebemos nós?”  (p.75 -76)
Virgínia Woolf O tempo passa
Editora Autêntica – tradução e notas de Tomaz Tadeu, 2013.

 

Virgínia Woolf nasceu em 1882 e morreu em 1941.

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