Prazer brincos e batom

Colocar batom prender o cabelo. Pensar em saladas, exercícios e cuidado com o  sono. Aproveitar o frescor da chuva e este sol. Esquecer pequenas dores, completamente, as grandes. Vontade de viver fazer conversar estar. Por que não seguir apenas o que nos faz bem? Ler uma revista pipocar nas notícias caminhar. Pensar que desta vez o horóscopo pode estar certo: vou encontrar novo amor.

Concordar com Costanza Pascolato.“Já casei três vezes e tive o grande amor da minha vida. […] Estou satisfeita e não me sinto sozinha. Na minha idade, a gente tem amigos para sair, conversar, passear. […] Acho ótimo que ainda me procurem, mas se já tinha defeitos jovem, imagine agora, com tosse, o reumatismo… ’Para sempre’ só funciona se os dois envelhecem juntos.”

Quanto ao medo de morrer queria sentir como ela afirma: “Agora não, porque estou bem e ativa. No dia em que eu ficar ranzinza, inútil, perder essa energia, aí acaba a minha farra e eu vou querer ir embora. É bobagem ter medo de morrer. Nascemos e morremos sozinhos. Eu nunca soube de ninguém que escapou desse destino.

Não quero morrer, irei sob protesto…, se é verdade que ninguém ficou para sempre, terei que ir. Sinto medo.  Ranzinza, sem energia. Sem força de fazer fazendo, aos trancos. Tão devagar! Tão desgovernado! Um pouco aqui outro ali, e depois… Coragem! Quero a chuva inteira batendo na janela para não poder sair de casa… Desligar o celular, não atender ao telefone, nem interfone.

Não quero usar óculos, mas ver com os meus olhos, minuciosamente, ao meu redor. E o meu redor são livros não lidos, revistas. Serra do Mar Lagoa do Violão e o mar que não está deste lado de cá, mas logo ali… Filmes. Pintura de artistas esquecidos. Cartas não lidas …,enfim!

Transgredir, ótimo. Distorções do outro a ler interpretar, e pensar de jeito diferente, o prazer. Concordâncias no abraço. Contraponto  e impulso! Sabor. Ser jovem. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro 2014 – Torres

Gosto da transgressão de postar uma imagem e todo mundo interpretar de um jeito diferente do que pensei originalmente. Não faço aquela coisa de mostrar o batom do dia, o look… Era só o que faltava: exibir look geriátrico! Até entendo que tem público para isso e pessoas que atendem a esse desejo. Outra coisa que gosto de fazer é ouvir as conversas entre jovens. Eles estão descobrindo tudo agora e trazem frescor a informações que já são velhas para nós.”

A vida é um privilégio e não podemos passar por ela em branco.”

Os valores foram aprimorados com o tempo. Já quis muito a aprovação dos outros, agora não dou a mínima bola.”

“Meu olhar é poderoso e muito crítico Vejo cada transformação do meu corpo, mas nem por isso me desespero. Hoje pior do que os espelhos, são as fotos espontâneas que tiram em qualquer lugar. Aí você se vê como é verdadeiramente, fazendo careta, sem pose.”

“ No final, o que importa não é roupa, mas como você a carrega.”

(p.109-110, revista Cláudia, janeiro 2014– Estilo sem Idade entrevista com Costanza Pascolato)

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