Sem bloco

Envelhecer é como entrar na floresta do lobo mau, da bruxa, do feiticeiro, na floresta conhecida do medo. Sem caçadores, sem saída. Mata verde, escura. O ponto final, sem reticências. Enfim! A cada quarta-feira de cinzas o desânimo. Sede, ritmo interior, fantasia, música, o grito, tudo desaparece. Grotesco desânimo. Não sinto as pernas, doem os braços. Cerveja, vodca, gasosa, água? Não sei o quanto bebi. Cantei. E hoje envelheci. O samba da loucura terminou. Não é mais carnaval. Sem máscara não sou pessoa, sou esquecida, mal humorada, desleixada, abandonada. Engasgada. Triste. Não estou no bloco. Esqueci a letra, não escuto a música. Onde foi mesmo meu último carnaval?  Esqueci. Eu me esqueci de tudo neste sono pesado de envelhecer. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2014 – Torres

2 comentários sobre “Sem bloco

  1. Beth, infelizmente é assim o tempo passa e nos mudamos tanto externamente como internamente, nas nossas emoções e motivações.
    Mas tentemos viver da maneira mais digna e criativa possível, pois envelhecer não é para Maricas, como diz Rita Lee!

  2. Pra mim é vencer diariamente o medo ,a dúvida,mas prefiro dizer amadurecimento ,a palavra “velho”me lembra môfo….

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