Não estou onde deveria estar

Deveria estar em Porto Alegre. Reconhecer Porto Alegre. Voltar. Recuperar o tempo. Escrever sobre o tempo. Ana, Mabel, Luiza, Marta, Sonia, Joana, Sandra, Maria e Albertina insistem que eu faça, diga, prossiga. Não interrompa o tempo. Escrever. Ilusão de vozes. Ilusão. Imaginação. Comprometer-me. Apreender a fazer. Reassumir a voz. Hoje estou com saudade. Anos e anos a procurar um endereço, um nome que ficou para trás na história. Qual? Nem sei mais. De repente, dou-me conta da impossibilidade de resgatar. Nunca quer dizer, sequer sei ao certo onde procurar. Seguidamente erro o endereço. Nunca significa não estar pronta para o reencontro. E sigo desejando Porto Alegre, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Montevidéu, ou São Paulo. Por que não estou apenas em Porto Alegre, em casa? Nunca se soma ao medo. Procuro recuperar o tempo escrevendo sobre o tempo. Ilusão. Voltar ao lugar que nos lembramos… Todos nós sabemos voltar para casa. Não importa o tempo. Hoje estou com saudade. Saudade até do não estar. Retorno a história toda de tempo, e o tempo das histórias que não sei contar. Estranho como nos lemos nestes sentimentos sentidos, e cronometramos dias lúcidos, doloridos ou amenos… Quero te mandar o recado, passar o telegrama, e escrever: Hoje sinto muita, grande, imensa, enorme saudade de ti, meu amado. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2014 – Torres

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