Estacionada

Enquanto sonho  no meu sono repasso detalhes: o que perdi ontem, ou o que de fato não consegui fazer? Por que sonhei este sonho? Os equívocos, minuciosamente detalhados. Como posso, tão serenamente, aceitar perda, vazio, e sorrir disfarçando. Desconectar. O sonho me desperta. E a noite não termina. As cores estão guardadas para o amanhecer. Este desencontro com a beleza me inquieta. Não faz sentido, não há motivo para se deixar ficar parada no mesmo lugar, no entanto, este lugar existe, o de estacionar. Estupefação da imobilidade. Como se neste mundo hoje de hoje, neste meu mundo que é o de todos nós, não fosse possível, de jeito nenhum, controlar imobilidade. Não irei a Feira do Livro, a exposição de Iberê Camargo. O fazer acontecer se esvazia na impossibilidade de pegar o lápis, o caderno, o livro. Seguir. Os objetos, o dia derruba minha vontade, a coragem, mais ou menos assim, estou sem freio, sem controle, e nesta corrida contra o tempo, estacionada.

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