Sentimento Achado

FOTOS BETH 070

1.

Estou a tentar… Este ou aquele sentimento. Segurar nas mãos o espaço preciso entre felicidade e prazer. Então, a mentira, o segredo, o pecado se transforma em transgressão libertadora. Mãos nos bolsos de jeans desbotados. Enfeitar, e despir.

Histórias já mapeadas. Nada específico, foto sem contexto. O detalhe sem corpo. Não existe lembrança já transcorridos tantos anos … Por isso lhe escrevo apressada querendo dizer tudo, sem especificar nada. No entanto, a lembrança, sua história de galã na charmosa ponte aérea Rio – São Paulo tem raízes, também lacunas! Lembro o olhar, ou a sofreguidão. Sinto o prazer do corpo. O beijo, a liberdade descabelada dos crisântemos do D. H. Lawrence. O que não foi, ainda é sua presença. Vou largar mesmo aquele tu seco, e cheio de medidas engessadas onde fidelidade e traição se fazem ícones desgastados. Você presente ao segredo essencial que se mistura na leveza espumada desta lembrança. Vida desvendada por prazer, sem acertos. Sem dinheiros contados…

Você soa como piano, violino, sonata, sem trovoadas nem tambores. Flores pelo chão, ventania no cabelo, deslumbramento. Voltar ao você endérmico, aberto. Uma imagem se sobrepõe a outra imagem, esta corrente de histórias! Particular, esta raiva, decepção súbita. Pedacinho de sentimento desgarrado.  E dou risadas! Tudo ao mesmo tempo. Sobreposições. Se nos imaginamos lisos, higiênicos, coerentes, previsíveis sucumbe-se no vazio.

Uma colagem, um minuto, um dia, depois outro. Abraços, risadas, dores. Dicotomia gasta: vida e morte. Ausência de artigos, de pronomes. Canções, ausência. Invasão. O que seria bom e adequado dizer? Fidelidade ajustada. Haja generosidade!

Escrever e contar tem aquela costura grosseira da pequena mentira útil. Mercados, ou quem sabe aeroportos? Pode ser rodoviária, ou porto. Lugares de embarcar e desembarcar, livre comércio, exposição. Passageiros…  Importante é costurar. Esvaziar a caixa. Não aguento mais guardar, ou empilhar. E você, meu querido, você não está em nenhuma delas. Sem fotos. Ainda você e eu, hoje.  Voltar a te ver passados trinta anos pode ser um equívoco.

Lacunas a borboletear! Perguntas embaladas no eco. Feridas abertas. Pisotear na lama do sangue. Adubar aleatoriamente resíduos do passado. Escalavrar, sucatear, e juntar ao 2015 uma memória seletiva e gasta. Importa? Reter amigos, embalar, beijar com assombro. Eufórica juventude! Sexo e rock! Cerveja, areia, e risadas em qualquer idioma. É preciso reler. Rever, e valorar o tempo, medir generosidade. Enterrar a mesquinharia frouxa que se refestela por aí feito cachorro sem dono, gato perdido, leão sem selva.

A imagem apagada do seu sorriso me aquieta. Sem fidelidade, nem traição o sentimento achado aquece.

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