Aborrecido odor

Odor aborrecido, insistente. Se você fosse absolutamente transparente, seria jasmim o seu abraço! Azedo esquisito presente, tua presença. Gosto de beijo. Beleza rasga, atravessa o cheiro. De gente, de pessoa, de homem, de criança, de mulher. Posse e violência. Facões. Correntes. Intolerância esparramada. Poros abertos! Suor fechado, trancado. Sinto. Recuo.

Se não fosse dito, ou falado. Apenas o suave cadenciado, manso, da sua voz. Passos miúdos. Corpo leve. A pequena morte agônica. Triste. Inodora.

Esta quantidade enorme de dobras. Gordura, excesso. Qualquer gesto, um transtorno. De repente respirar pode ser assim aborrecido, insistente. O olhar se debruça, volteia, rodopia, abre e fecha, inúmeras vezes, as persianas pesadas. Luz. Mais, muito mais do que a luz, sombras…

Um ranço de fritura, bife, ou frango? O chocolate grudado no fundo da panela. Bananas fritas com muito açúcar.

Os talos destas flores esquecidas. O cheiro avança colorido. Fedorento, estranho odor aborrecido, insistente. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2015 – Torres

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