A casa do Incesto

“Sou a mulher mais cansada do mundo. Estou cansada quando me levanto, A vida requer um esforço que não consigo fazer. Por favor, me dê aquele livro pesado. […] Sinto um grande terror de sua compreensão pela qual você penetra no meu mundo; aí, estarei revelada e terei que compartilhar meu mundo com você.
Mas Jeanne, o medo da loucura, somente o medo da loucura nos impulsiona para fora dos recintos da nossa solidão, para fora do sagrado da nossa solidão. O medo da loucura incendeia as paredes da nossa casa secreta e nos manda ao mundo a procurar contato caloroso. Os mundos autofabricados e autoalimentados são tão cheios de fantasmas e de monstros.
Conhecendo apenas o medo, é verdade, um medo tamanho que e sufoca, que fico de boca aberta e sem fôlego, como uma pessoa privada de ar; ou em outros momentos, sem ouvir, de repente surda para o mundo. Bato os pés e nada ouço. Grito e nada ouço do meu grito. E aí, às vezes, quando me deito na cama, o medo me toma outra vez, um grande terror do silêncio e do que virá deste silêncio em minha direção, a bater nas paredes das têmporas, um grande medo crescente, sufocante. Bato na parede, no chão, para afastar o silêncio. Bato, canto, assobio insistentemente, até afastar o medo.” (p.166 – A casa do Incesto)
A casa do Incesto & Outras Histórias, Anaïs Nin. Ed. Rosa dos Tempos. 1991

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