Sessenta e oito anos

Tímido exercício de escrever. Ou descrever o movimento especifico desta calçada. Descrever o que vejo, ou sinto, ou penso saber que penso. Escrever o fato, esta, a minha, ou a sua verdade, ou nossa. Sem película. Sem Envergonhada? Não. Coragem para dar opinião. Desajeitado. Enlouquecido. Não importa. Gritar atrás das grades. Mesmo Imobilizado. Não aceitar indecência evidente neste/ deste Brasil silencioso. Por que a verdade espreita, mas não atravessa. Não passamos pela experiência de ser Chefe da Casa Civil.

Não descobri o abacate. Não fui o primeiro da turma. Nem filho mais velho. Nem casei com mulher rica. Não fui pastorear ovelhas, nem servir ao rei. Não encontrei o bom amante. Não me encostei no amigo poderoso. Não suei no emprego. Não tenho ambição. Nem vergonha. Silencio.

Ensaio, proponho. Exercício descontinuado. Quero ousar. Escrever a história por inteiro, derramar o leite todo, ter fome. Impotência. Juntar papéis espalhados no chão. Abrir todas as caixas… Editar.

Tanta gente na manchete usufruindo, safadamente, o direito de gastar dinheiro do outro! Pois é. A medida – sempre – dinheiro. Barganha da troca, ouro.

Loucura de ir e vir para estar em todo lugar, lugar nenhum. Beleza gorda em bons restaurantes. Voz mansa no veludo gasto da boa vontade do outro. Mesmo acusado, viciado, não há punição. Alma, corpo levitando no paraíso fiscalizado, –  por ninguém. Atrás da vantagem, do amor roubado, abusado, encontrado, o poder. Safadeza consciente. Alguém fecha os olhos, concorda calado, e consente. Desejo amolece, se fortifica no abuso pela vontade omissa, lasciva, preguiçosa do outro. Luxo manipula o caráter extenuando de todo um povo, de um alguém cansado, envelhecido. Não nos livramos das facilidades, nem do falso brilhante… Tudo brilha. Encanta! Envenena. Até quando seguiremos sonâmbulos, inoperantes? O velho homem decente, bom, não pode se deixar corromper…

2 comentários sobre “Sessenta e oito anos

  1. Alguém já disse que a pior consequência da corrupção não é a desigualdade social, mas a desesperança que contagia a todos. É o que eu sinto. Que bom te ver espernear…

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