Não sei nem vou explicar

Não sei o que dizer. Vou me esconder na caixa azul. Guardada, extraviada. Amarela. Vermelha a caixa de cima. Estou a respirar pelo rasgo. Triste. “As coisas acontecem ou não acontecem, só isso. Nada é realizado pelo suor e pela luta. Quase tudo o que chamamos de vida é apenas insônia, uma agonia porque perdemos o hábito de adormecer. Não sabemos deixar as coisas correr. Somos como o boneco de uma caixa de surpresas pendurado na ponta de uma mola e quanto mais lutamos mais difícil é entrar de novo na caixa.” Estou na caixa azul. Guardei a lama tóxica de Mariana no vidro de palmitos, aquele da tampa enferrujada. Em Minas Gerais, o rio Doce, contaminado, morre. Paris chora. Estremeço. Encostei o velho roupeiro contra a parede externa, assim escondo o buraco. Não vou me mexer, nem explicar porque amo a França inteira, ou Minas Gerais, ou o Rio de Janeiro, ou o balneário de Torres. Logo vou ficar outra vez alegria. É assim mesmo, sem sentido. “Sentia pena da raça humana, da estupidez do homem e de sua falta de imaginação.” Henry Miller, Trópico de Capricórnio.

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