Luis Carlos Lisboa

Um bilhete, uma palavra, não uma carta. Sandra Azevedo me deu teu endereço. Transitas pelos mesmos lugares que eu: Torres – Rio de Janeiro, e Porto Alegre como ponte. Sei que estás perto, mas não fui te ver, quase não saio de casa. Estou na ponta da Lagoa do Violão. Perto, mas completamente ‘fechada’. Vontade de saber mais de ti, mas tímida… Reconhecer teu jeito de sorrir. Voltar aos bons tempos! Energia, cor. Tenho buganvílias, sonho com romãs, e plantei um maracujá. Mas… A danada da memória arranca a lucidez… É preciso sol. E luz! O calor vem dos amigos! Saudade! Saudade daquela confiança! Cumplicidade! Da certeza que a vida ia dar certo. Hoje pessimista fico a me justificar disto e daquilo… Labirinto próprio! Inquieta e silenciosa? Paradoxal. Adoro a vida! Não saio, não vejo as pessoas… Penso as pessoas. E fico aqui na caverna! Em junho estarei no Rio, se lá estiveres …  certamente nos encontraremos. Torres é grande demais, difícil, arbitrária! Diferente. Morei aqui bons anos, escolas Estaduais, Colégio das Irmãs, depois a Ulbra. Voltei pra Porto Alegre, e fui trabalhar na Garagem de Arte da Itamara e do Francisco Antônio Stockinger! Escrevi um livrinho sobre o escultor, o grande Xico!  E voltei pra Torres. Meu endereço é a casa da Tânia lá no Moinhos… , mas estou mais por aqui. O apartamento é de frente pra Serra, esqueço o mar. Engraçado isto! Estou com teus telefones. Telefonar sem dizer que não vou… Preciso ter coragem. E tu? Estás com tua coragem em dia? Lembro do José, e do dia que fui tentar esquiar no Guaiba, lembras? Tudo era possível. Ainda é. Sei. Sandra me deu uns bons puxões de orelha! Estou a me esconder na velhice como se fosse a mais sólida carcaça, o melhor esconderijo… Dos fracassos? Não sei se foram fracassos, mas mudou tanto! As luzes eram tão fortes! O palco absolutamente reconhecível, e depois de 1968… Outro tablado, outra estrutura. Nada foi como era, como tinha sido ensaiado. Novos textos a serem decorados! O que vou te contar? Que casei duas vezes. Tenho quatro filhos, e nenhum namorado. Um cão pretinho de nome Ônix, livros, papel, canecas cheias de lápis. E muito para ser feito. E contigo? Quem sabe escreves também… Um beijo

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