Manoel Puig diz…

Será mesmo?

Não há nada pior do que ficar calada. Mas eu, quando fico com raiva, fico bloqueada, e nada mais. Talvez aí esteja a diferença entre o homem e a  mulher, a mulher é toda impulso,  toda sentimento, e se deixa consumir pela raiva, em vez de dizer o que pensa. Mas, na verdade … nesses momentos eu não penso. Quando alguém me atropela, eu não penso. O sangue me sobe á cabeça, e nada mais. Uma reação tipicamente feminina. Por sua vez, um homem, justamente quando alguém tenta atropela – lo, é que se levanta. É preciso admitir isso, que a gente já nasce assim. Beatriz diz que não nascemos assim, que somos educadas assim. Eu acho que é coisa da natureza..

E é lógico, se a gente é atraente, é por causa da sensibilidade, da meiguice, então a gente não pode ser tão cérebro. Ou se é uma coisa ou outra. Senão não haveria atração entre sexos. Cada um contribui com uma coisa. Mas então não deveria dar – me tanta raiva quando alguém me atropela. E além do mais o consegue. Mas aí está o problema, o que acontece é que um homem de verdade, um homem superior, digamos, não superior a mim, porque então Beatriz teria razão e não tem, senão superior de outro modo… Bem, é melhor começar tudo de novo.”

(70-71)  Púbis Angelical, Manoel Puig, Círculo do livro: 1984.

2016-02-16 21.48.28

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