A verdadeira pátria

“A verdadeira pátria do homem não é o orbe puro que subjugou Platão. Sua verdadeira pátria, à qual sempre regressa ao fim de seus périplos ideais, é esta região intermediária e terrena da alma, este dilacerado território em que vivemos , amamos e sofremos e, em um tempo de crise total, somente a arte pode expressar a angústia e o desespero do homem, pois, diferentemente de todas as demais atividades do pensamento, é a única que capta a totalidade de seu espírito, especialmente nas grandes ficções que conseguem adentrar o âmbito sagrado da poesia. A criação é essa parte do sentido que conquistamos em tensão com a imensidão do caos. ‘Não há ninguém que tenha alguma vez escrito, pintado, esculpido, moldado, construído, inventado, a não ser para sair do seu inferno.’ Absoluta  verdade, querido, admirado e sofrido Artaud.” (p.69)

ANTES DO FIMErnesto Sábato

2 comentários sobre “A verdadeira pátria

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