Esqueço o livro

Gosto desta correspondência silenciosa, não diria cifrada porque conversamos um com o outro e sabemos o que o outro sente ou vai dizer ou vai escrever. Já te disse outras vezes do meu sentimento. E repito o comentário formal, o recado. Eu, eu transito entre um livro e outro, entre um alguém  e outro alguém. Entre paixão raiva amor e tristeza. Na euforia do encontro uma certa melancolia porque já terminou … Sempre termina. Outro livro e outro livro para substituir o gosto do anterior. E o amor também termina. Eu me sinto desnecessária, impotente. Fora da viagem, da volta, da quietude …. Invadida. Largada. Aquele sentimento estranho de despedida. Última página. É sempre assim quando estou na história do livro, no texto, ou na viagem do outro. Depois um nada. Um pouco ansiosa. Ofegante. Um cheiro de fracasso. E vou saindo do romance para entrar logo no outro romance. Leviandade, inconsistência, imaturidade, inconstância. Leitura. A melhor aventura é interior. Descabelada, única, inconsequente eu já sabia. Absolutamente pessoal e intransferível. Esta coisa pequena do apego …, não adianta querer ficar …  O livro se fecha desaparece, ou passa com sua mochila abarrotada e acampa noutra paragem noutra memória. Fico aqui neste canto da lagoa sem gramado a esquecer a palavra, a capa, o título, o porquê. Fico aqui a esquecer o amor, a paixão, o homem, o desejo … esqueço o livro. Outro culto. Outro lugar. Outra história. Ou então pode ser a viagem que se resume numa foto.

na-sinagoga

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s