Apaixonada por Francisco

received_1226201020748136Francisco-brennand-011 cerâmicas“A escrita constante e reflexiva de Francisco Brennand, iniciada em 1949 é caso singular do memorialismo no Brasil. Por que um artista plástico potente precisa escrever com essa determinação O Diário não busca legitimar sua arte nem seus relatos de encontros significativos são atos vulgares de esnobismo, mas a revelação de ideias, imagens escrituras e experiências que se incorporam a seu processo. Tanto fôlego para escrever exigiu ainda mais fôlego pra viver, para lembrar-se de tanta urgência, para aceitar ser impossível esquecer como condição inquieta do artista. A memória despontou e Marcel Proust e se estende em suas profundezas, diapasão e vagueares desde a evocação sensorial da madelaine, agora matéria calcinada, ou pelo piano do pai na casa em São João e nos percursos míticos de Ganimede na celebração do intelecto e da virilidade para converter o barro bruto em carnação do humano.”

Na geração surgida no pós-guerra, a aventura do atelier permite associar criticamente o signo voluptuoso de José Cláudio, Francisco Brennand e Iberê Camargo.” Escreve Paulo Herkenhoff

Estes amores  presos soltos atuando  …  revirando a memória, presentes. A memória conversa … Iberê Camargo não está mais aqui! E ainda quero dizer tantas coisas!  Entender  e amar  dois universos.

Iberê Camargo

Iberê Bassani de Camargo (Restinga Seca RS 1914 – Porto Alegre RS 1994). Pintor, gravador, desenhista, escritor e professor. Em 1928 estuda pintura com Frederico Lobe e Salvador Parlagreco (1871-1953) na Escola de Artes e Ofícios, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Entre 1936 e 1939, em Porto Alegre, faz o curso técnico de arquitetura do Instituto de Belas Artes de Porto Alegre e estuda pintura com Fahrion (1898-1970). Muda-se para o Rio de Janeiro em 1942 e, com bolsa de estudos concedida pelo governo do Rio Grande do Sul, freqüenta por pouco tempo a Escola Nacional de Belas Artes – Enba. Não satisfeito com a proposta acadêmica, estuda com Guignard (1896-1962) e funda, em 1943, com outros artistas, o Grupo Guignard. Em 1947 recebe o prêmio de viagem ao exterior e vai para a Europa no ano seguinte. Em Roma, estuda com Giorgio de Chirico (1888-1978), Carlos Alberto Petrucci, Antônio Achille e Leone Augusto Rosa, e em Paris, com André Lhote (1885-1962). Volta ao Brasil em 1950 e, em 1952, torna-se membro da Comissão Nacional de Artes Plásticas. Funda, em 1953, o curso de gravura do Instituto Municipal de Belas Artes do Rio de Janeiro, hoje Escola de Artes Visuais do Parque Lage – EAV/Parque Lage. Em 1954, participa com Djanira (1914-1979) e Milton Dacosta (1915-1988), da organização do Salão Preto e Branco e, no ano seguinte, do Salão Miniatura, ambos realizados em protesto às altas taxas de importação de material artístico. Promove curso livre de pintura no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, em duas temporadas entre 1960 e 1965. Em 1966 executa painel de 49 metros quadrados oferecido pelo Brasil à Organização Mundial de Saúde (OMS), em Genebra. A partir de 1970, leciona na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Em 1980 Iberê Camargo mata a tiros um homem que o agride na rua. É absolvido sob o argumento de legítima defesa, mas o episódio marca profundamente sua vida e sua obra. Em 1986, recebe o título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM. Entre suas publicações, constam o artigo Tratado sobre Gravura em Metal, 1964, o livro técnico A Gravura, 1992 e o livro de contos No Andar do Tempo: 9 contos e um esboço autobiográfico, 1988.

José Cláudio

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José Cláudio (Ipojuca PE 1932)

Pintor, desenhista, gravador, escultor, crítico de arte e escritor.

Em 1952, José Cláudio, ao lado de Abelardo da Hora (1924), Gilvan Samico (1928) e Wellington Virgolino (1929 – 1988), entre outros, funda o Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife – SAMR. Posteriormente, em Salvador, José Cláudio é orientado por Mario Cravo Júnior (1923), Carybé (1911 – 1997) e Jenner Augusto (1924 – 2003). Viaja para São Paulo em 1955, onde inicialmente trabalha com Di Cavalcanti (1897 – 1976), estudando também gravura com Lívio Abramo (1903 – 1992) na Escola de Artesanato do Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP. Recebe bolsa de estudos da Fundação Rotelini, em 1957, permanecendo por um ano em Roma, na Academia de Belas Artes. De volta ao Brasil, passa a residir em Olinda e escreve artigos sobre artes plásticas para o Diário da Noite, do Recife. Realiza pinturas de caráter figurativo, retratando cenas regionais e paisagens do Nordeste, evitando, porém, o caráter pitoresco. O artista escreve, ao longo de sua carreira, vários textos de apresentação para exposições de pintores nordestinos, como a mostra Oficina Pernambucana (1967). Publica, entre outros, o livro Memória do Ateliê Coletivo (1978), no qual reúne depoimentos dos vários artistas que integram o grupo.

E Francisco Brennand

A Oficina Cerâmica Francisco Brennand é um museu de arte brasileiro localizado na cidade do Recife, capital de Pernambuco. Foi criada pelo artista plástico pernambucano que dá nome ao conjunto arquitetônico, Francisco Brennand.

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