
Moyers: O amor está aí, bem diante de mim. O Amor é o caminho que se abre à minha frente, os olhos …
Campbell: …aquela ideia do encontro dos olhares. “Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração: pois os olhos são os espiões do coração. ”
Moyers: O que os trovadores aprenderam sobre a psique? Ouvimos falar da psique – Eros amou Psique – e fomos alertados para a necessidade de compreender nossa psique. O que os trovadores descobriram sobre a psique humana?
Campbell: O que eles descobriram foi um determinado aspecto particular da psique, de que não é possível falar em termos puramente gerais. A experiência individual, o empenho do indivíduo na experiência, a crença do indivíduo na experiência, a vida individual – esse é o ponto chave.
Moyers: Então o amor não é o amor em geral, é o amor por essa mulher?
Campbell: Por essa única mulher. Exato.
Moyers: Na sua opinião, por que é que nos apaixonamos por determinada pessoa e não por outra?
Campbell: Não seria eu a dizê-lo. É uma coisa muito misteriosa, aquela coisa elétrica que acontece, e depois a agonia que pode advir. Os trovadores celebraram a agonia do amor, a enfermidade que os médicos não podem curar, as feridas que só podem ser cicatrizadas pela arma que as provocou.
Moyers: O que isso quer dizer?
Campbell: A ferida é a ferida da minha paixão e a agonia do meu amor por esta criatura. A única criatura capaz de cicatriza-la é aquela que provocou o ferimento. Este é o motivo que aparece, de forma simbólica, em histórias medievais, o motivo da lança que produz um ferimento. Só quando a lança toca de novo a ferida é que esta chega a cicatrizar. (p.205) Histórias de amor e matrimônio, O Poder do Mito, Joseph Campbell com Bill Moyers
