ideia e narrativa na memória

Domingo junho de 2017. Resolvi fazer/tentar/ dizer como se fosse diário/ jornal/ ou caderno azul … observações e relatos, contar vida. Se o mundo se desmancha galhos de memória me seguram… será que posso viver? Nas fortes emoções a força diminui, mas histórias transbordam … para hastear a bandeira de sobrevivente preciso exorcizar, …  Pequenas observações remetem a uma determinada cor específica …  Loucamente apaixonada fico exaurida, mas não consigo tirar isso de mim. Dois amores se misturam … o sentimento deste amor-apaixonado que nunca desaparece é comum/faz parte/está no mesmo lugar … enquanto um desaparece, o outro nasce/brota/ verdeja no mesmo canteiro devastado daquele que morreu.

O sentimento de tempo de um hoje que é ontem, presente-passado com o futuro apontando …  Viver em sonho viver as situações da situação. Rever um sonho, …  Por que nunca retornar/desmistificar/tocar a pessoa amada? Por que não voltar a situação feliz, ao feérico? O amor precisa se esgotar. Se os amados se misturam no meu pensamento eu revivo, lágrimas apontam. Então eu amo. Existem coisas que continuam a acontecer de um jeito inesperado e idiota/ sem explicação. É esquisito vermos/ ou voltar ao que nunca existiu de verdade, ou está lá na nossa ficção …

LUUIZA e eu LINDAAAAAAAAAAAAAAAAEstou arrumando as estantes para que neste esvaziamento do apartamento com a ida de coisas/móveis/e vida da Luiza para Recife eu reencontre espaço e entenda a falta. Começo a me desfazer de certos livros enquanto desejo outros …  Substituição amorosa, já não mais pelo livro em si, mas texto autor que ainda está vivo dentro de mim como Amós Oz, por exemplo.

” […], você está cansado e eu também estou cansada, vamos dormir agora e você verá que amanhã talvez você esqueça tudo ou pense em outra coisa e eu amanhã também tenha alguma coisa para lhe dizer que eu não tenho hoje, pois saiba que ficaram coisas que nunca em nossas vidas fomos capazes de dizer e nem queríamos, porque não precisávamos. ” (p.83) Amós Oz, – Uma Certa Paz – São Paulo, Companhia das Letras, 2010

Guardar autores como eles se guardam uns aos outros. Proust Marías Oz conversam.

[…] “existe uma parte de nós que está em contato mais direto com as divindades do que está o nosso discernimento. E por isso inclino-me mais a crer que as obstinadas paradas do tempo nos sonhos são civilizadas, respirações convencionais de caráter dramático, narrativo, rítmico, como o fim de um capítulo ou os entreatos, como o cigarro que se fuma depois do almoço os minutos dedicados a folhear o jornal antes do início das atividades, a pausa que precede a leitura de uma carta temida ou o último olhar no espelho à noite” (p.34) Javier Marías, – O homem sentimental – São Paulo, Companhia das Letras,2004.

[…] “Eu maldizia Roberto; depois disse a mim mesmo que, se o expediente falhara, se arranjaria outro; já que o homem pode atuar sobre o mundo exterior, como é que recorrendo à astúcia, à inteligência, ao interesse, à afeição não chegaria a suprimir esta coisa atroz: a ausência de Albertina? Julgamos que, de acordo com nosso desejo, modificaremos as coisas ao nosso redor; julgamos porque, fora daí, não vemos nenhuma solução favorável. Não pensamos naquela que é quase sempre elaborada, e que é também favorável: não chegamos a mudar as coisas conforme nosso desejo, mas pouco a pouco o nosso desejo muda. A situação que esperávamos mudar por ela nos ser intolerável nos torna indiferentes. Não podemos superar o obstáculo, como pretendíamos a qualquer custo, mas a vida nos levou a contornar e ultrapassar, e ao voltarmos agora para os confins do passado, mal podemos distinguir de tal modo nos tornou ele imperceptível. ”  (p.49) Marcel Proust, – Albertina Desaparecida (A versão de A fugitiva alterada pelo próprio Proust inédita até 1986) – Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1989.

E as curiosas anotações nas páginas dos livros me fazem pensar e voltar e sentir tudo outra vez. Então o tempo o agora está lá amarrado naquele sentimento naquela lembrança e fica um borrão neste domingo de junho sem frio.  Em nota página 80 deste livro de Proust escrevi: Torres, 17 de novembro de 1995  Ele acabou de ir para Porto Alegre. Um dia e eu já estou com tanta saudade …. Fico meio sem rumo querendo entender, mas não consigo tanto eu entendo que somos parte um do outro tanto eu não compreendo o porquê de estarmos longe um do outro. Longe … nada pode ser mais importante do que estarmos um com outro, juntos.

BORRADA lembrança do FLáENVELOPE curioso Flávio

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