… aroma cheiro e presença humana! … libertar sentimento e voz. Brejeirice jovem. Mesmo assim não fomos tu e eu. A chuva reinventa o segredo. Corremos para o mar. Trovões e raios gritam o perigo. É preciso andar de volta no tempo. Reencontrar a diferença de quinze anos, ou já passaram vinte e cinco? … Querer voltar para trinta ou quarenta anos atrás … quando ainda não eras tu, nem eu era eu. A certeza dos teus olhos presos no meu olhar. Invisíveis nós dois. Vamos desnudar, inventar, fantasiar … Amarrada, enfeitiçada … Suspensa pela fragilidade do encanto, assim eu estou a tua espera presa nos meus dezessete anos .
No piano a canção. Três casais dançam, nós apenas nos olhamos … A casa da avó, o silêncio da rua Vitor Hugo, a certeza do para sempre … afinal, nos encontramos. Elizabeth Beth Mattos – Outubro de 2017 – Torres
[…] “o assoalho e a mobília estalavam no silêncio, e de algum modo a peça dava sempre a impressão de uma presença humana. A despensa era o lugar que ele tinha mais prazer em visitar, o que raramente acontecia. A mão da avó girava a chave numa porta pintada de vermelho vivo e libertava uma lufada de aromas: os cheiros de salames e presuntos defumados […] p.11 Czeslaw MILOSZ – O Vale dos Demônios –
