fora do contexto

Eu te disse que às vezes sou feito trator. Norma sem rumo ou diretriz ou regra, nada que possa restringir ou  atar. Distorcem, não aguento. Pensei no amor físico na entrega, e fico imaginando que este é o lugar que não é teu/meu, mas nosso porque sem o outro não existe prazer ou entrega. O silêncio novo a comida nova um ar novo. O que eu faria? Leria mais, escreveria mais e olharia melhor para o verde e para o azul. Entenderia o nada, apenas olharia: veria/ enxergaria. Como no amor. Eu te escrevi para te convidar ao nada. Lúcidos não fazemos amor. Gosto de nos pensar embriagados de paixão. Loucos. Então o porquê de beber, beber até o fim até o fundo da garrafa (ler Bukowiski dá nisso). Não eu comigo, mas nós dois. Não quero o agora que enrijece / endurece. Nunca estou num agora. Perco a vida porque sonho o sonho e quero o que passou ou o que imagino que ainda pode ser…  Sonho e paixão.   Gosto do artista que se debruça.

Fora do contexto, mas ainda no contexto: corpo, sexo. O visceral, o intenso. Tudo o mais é desordem numa aparente ordem e pacífica rigidez.

Pretendia comer camarões na beira do rio, beber uma cerveja gelada. Olhar o  outro lado… Sentir Torres com rio. Os molhes e o mar e as pedras e a areia… olhar e ver tudo. Preguiça e languidez de amar o amor. Preguiça de olhar  no olhar. Pretendia. Não fui a lugar nenhum. Comi feijão com arroz, farofa e carne desfiada: prosaica latinha de cerveja. Outro dia de ficar em casa. Nem a chuva chegou. Tudo assim desmedidamente comum. Lavei os pratos, limpei o fogão, estendi os lençois aspirei o tapete. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2017 – ainda / sempre Torres

Assim mesmo dentro do contexto e da vida. “É interessante a mudança que o amor físico opera no corpo dos homens e das mulheres: a mulher floresce em sua plástica, arredonda -se, perde as asperezas, adquire uma expressão ansiosa ou triunfante; o homem torna se muito mais tranquilo, mais interior.”(p.13) Davis Hebert Lawrence – O Amante de Lady Chatterley – Volume 33 Os Imortais Editora Abril

CORPO INTEIRO DESENHO

“Sem dinheiro não podemos sequer pensar …”  e “A vida interior  necessita de casa confortável e boa cozinha”. (p.40) “Um ar de canseira nas coisas”(p.59) “O inesperado é sempre uma ameaça”(p.81)

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