absolutamente feliz

…, coisa de escrever. Estou atordoada com os ventos da primavera que cantam o dia inteiro. Queria parar de fazer, queria férias, férias de mim mesma, das vozes, da respiração, deste lavar passar (eu gosto de lençóis perfumados e lisos), de cozinhar, limpar, esfregar, do vento, do sol … de suprir, resolver, escutar, ser feliz, … sorrir, entender. Hoje deu vontade de chorar, ser triste, resmungar, deixar de fazer. Ser livre, completamente livre de todos os ranços escondidos, … não quero responder. Não quero cuidar. Houve um tempo que eu fazia tudo isso, e respirava. Hoje é diferente. Houve um tempo que eu tinha três cães, jardim, flores nos jarros, fogo na lareira, árvores, gramado, groselha e doces. Hoje é diferente.

Estou num daqueles dias que o cheiro da comida, o cheiro do pó, o cheiro do sabão, das flores, das pessoas, o cheiro da vida … pois é, a vida tem cheiro … tudo está demais. É o vento. É o vento que entra pelas frestas e fala diz canta sem parar. É a primavera resmungando. É ser feliz sem merecer. É amar sem compreender. É falar e falar sem entender. É estar o dia inteiro apenas enfiada no dia de estar contigo. E não estar. É o medo do tempo passar, medo de envelhecer depressa demais, medo de não voltar, do fim do caminho. Medo de estar tão absolutamente feliz sem compreender. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2017 – Torres

casa dois

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