é tolice

“É tolice imaginar que a paixão nasce de uma harmonia mental, de idéias semelhantes, ela é o dispositivo simultâneo de dois espíritos empenhados em crescer e conquistar sua autonomia. É como uma explosão silenciosa tivesse ocorrido no interior de cada um. Confuso e inquieto, o amante examina sua própria experiência, sentindo gratidão pelo amante, imagina estar em comunhão com ele, mas impressão é falsa. O objeto amado é simplesmente alguém que compartilhou uma experiência de forma simultânea e narcísica; e, ao menos no início, o desejo de estar próximo desse objeto não tem  relação com a ideia de posse, mas apenas com a intenção de comparar   as duas experiências como reflexos em espelhos diferentes. Tudo isso pode preceder o primeiro olhar, o primeiro beijo, o primeiro toque, preceder qualquer ambição, orgulho ou cobiça; preceder as primeiras declarações que marcam o instante da virada — pois daí em diante, o amor degenera-se em hábito, sentimento de posse, e retorno à solidão.“(p.48-49)   Lawrence Durrell – Justine – O Quarteto de Alexandria – Volume I – Ediouro, 2006 Rio de Janeiro.                             

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