da despedida

Talvez fosse possível apagar, … começar sem passado. Podar galhos, flores. Sem tronco sem folhas, apenas semente. Talvez não devesse espiar o antes. No entanto, lá está o corpo cheio de cicatrizes com um coração desencontro e encontro. Aberto sangra sarando enquanto se agita.

Ultrapassa evidência. A vontade não domina, mas se submete. O que foi se alça, mesmo que seja, apenas tentativa …, vida ou suicídio. Amar é entender estes pedaços que se enrolam … Usar liberdade fantasiosa encardida enferrujada mentirosa, sem amarras. Despedida viagem chegada, e encontro contigo comigo conosco …. Depois de tanto depois … tantos anos!  … parece maravilhoso e fantasioso. O dia vai passando, nenhuma palavra, nenhuma voz até agora. Doído ansioso (05/04/2017 15:51), perigoso sentimento de abandono. Esta curva insegura me descontrola. Assim penso o teu eu aberto, e secreto. Para desconstruir desenho a despojada, qualquer lugar pode ser o lugar. Qualquer andrajo a roupa. Qualquer descaso pode ser ainda, sentimento. A entrega de reserva escancarada a recomeçar. Anseio … uma curva amorosa. Escondo medo pejo. Eu fui/estou/sinto/ penso felicidade. Acarinhada escandalosamente amada. Tão perto! Tão único! Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres

cogmelo na janela linda a foto

um lugar improvável, o amor

coisas da madrugada

O problema não é inventar. E ser inventado hora após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente.

“A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco. ” O Outro  – Carlos Drummond de Andrade CORPO novos poemas – Record 1984

Por que? Por que nascemos para amar, se vamos morrer? Por que morrer, se amamos? Por que falta sentido ao sentido de viver, amar, morrer? C.D. de Andrade

Verdade. A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os meios perfis não coincidiam. C. Drummond de Andrade

O poeta escreve o que importa. Pensa o que importa. Volto ao tema dolorida com o soco. Na madrugada costuro lembrança, abro a janela para respirar a noite, e na colcha, o bordado inacabado. Toda noite uma flor. Não resolvo nada, protelo mais um dia … É como estar no corredor da morte a esperar … Esperar pela inocência, ou um grito/ que anuncie: estás livre, livre, livre! Quando escrevo penso, e se penso volto antes de chegar ao portão. Preciso dar uns poucos passos para entrar no jardim das margaridas … Preciso terminar de colher as maçãs, e as ameixas. Protelo, invento, espero … Como se eu pudesse mesmo interromper a passagem/parar o tempo. E.M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres

CDdeAndrade O CORPOCDdeANDRADE CORPO aberto com indicações

 

 

 

 

 

 

 

 

 

inventar

Eu confesso: problema não é inventar. É ser inventado hora após hora, e nunca ficar pronto. E o desânimo completa o nada deste vazio enorme! Chegar no fundo da saudade, da ridícula e vazia saudade do que não aconteceu. Ir caminhando assim desanimada a sorrir…

Saudade do que poderia ter sido e não foi: simples assim.  Esse romantismo aéreo e voante cheio de assas. Penso: no tempo de ouvir amadurecer as ameixas, e os pêssegos eu flutuava. O sol acariciava os frutos. Dourar redondezas, polir riquezas da terra. Ao amanhecer, junto ao verde dobrado da campanha… Eu era possível, o amor era possível, respirar também. Milagre, tudo certeza, tudo por acontecer… Eu não sabia. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres

LINDA esta foto de abrigo

LEMBRETE

Se procurar bem, você acaba encontrando

não a explicação (duvidosa)  da vida,

mas a poesia (inexplicável) da vida.

Carlos Drummond de Andrade