verão de excesso

A madrugada se faz silenciosa e completa. Não, não é completo o silêncio, a geladeira resmunga. Os cães latem, e esta coisa de sentir o que se passa na calçada interfere. Chega aos meus pés, e se instala …, mas não escuto vozes. Nem automóveis. A chuva refrescou, chegou forte e de imediato parou. Um verão de excesso: luz e calor, chuva e sombra. Frio, também faz frio. Neste cinzento a luz se esconde. Começo, nunca meio, nem inteiro. Poderia ser apenas isso, um longo esticado e lento começo e, exatamente,  ser o tudo. A cada estímulo uma linha.  E dizer que depois de sempre eu me preparo para escrever! Na rua Vitor Hugo, lá em Petrópolis, apenas uma palavra já era ideia inteira, com meio e fim. Um olhar, uma história. E agora, agora tudo travado. Interrompo. Sentimento ideia fato se escondem e se confundem. O real, uma fantasia. E logo dia, ou o telefone toca, ou a voz chega, ou a urgência aparece e o fio condutor desaparece. Agora, hoje, neste momento, ano, dia, mês o futuro, o amanhã, o depois, ou … sei lá se existe depois! Se vou mesmo nascer outra vez para viver tudo cor de rosa, azul, nada com cinza … Perco a hora. Tarde inteira a pensar que o começo não importa, já terminou … a vida terminou. Assim mesmo eu falo, digo, penso e me entrego todas as manhãs ao fantasma/fantasia do que pode ser.

Divido o tempo. Ler explicar repetir, voltar …, e me parece tão inútil escrever, ou contar porque as vidas todas são iguais, semelhantes, do mesmo jeito, muito muito muito apenas o jeito de dizer a mesma coisa …, e gostar apaixonar desaparece no amor de amar bastante tanto e igual, o mesmo. Um beijo o beijo grande. Ansioso beijo. O de sempre. Na boca, da boca uma palavra e o beijo. Se repito se penso, se beijo e se entrego …, recebo uma resposta beijo. Digo: toda e qualquer lembrança…, ah! mentirosa atormentada fantasiada. Escandalosamente recriada.  História repetida, todo sentimento descolado, remendado, e posto ali na vitrine, na vontade, no beijo.

No entanto, quando eu me apaixono, perco a medida, a justeza. Sinto necessidade louca de magia, de feitiço preso no círculo. Por um momento imóvel quieta a sentir… A querer apenas o corpo … herói erótico. Diga responda aquieta, e volta para o corpo. Todos os dedos, as pernas, o pescoço, olhos, cabelos, e braços se farão abraço. E nada, nada vai ser dito explicado pensado, repetido: um enorme silêncio naquele abraço magro azul, o meu no teu. E o beijo …, sempre chegamos, tu e eu, no beijo. Eliza/Elisa Liza/Lisa Beth M.B.Mattos –  Torres janeiro 2018

NOITEEEEEEEEEEEEEEEEEE

 

2 comentários sobre “verão de excesso

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