guardião do irmão

” Creia – me, até para os árabes – e você me acusa em sua carta de querer o mal deles -, mesmo a eles auguro de todo o coração que vivam em paz segundo a sua religião e hábitos, e que possam em breve voltar para sua pátria assim como nós voltamos para a nossa. Só que deixamos as nossas terras nus, desprovidos de tudo, humilhados, enquanto a eles eu sugiro que saiam daqui cm dignidade e saúde, sem que nós toquemos em um fio de cabelo ou cordão de sapato deles. Mesmo pelos bens que tomaram em nossa terra pela força da espada, sugiro que sejam bem pagos. Um homem como eu sonha em não tocar em um fio de cabelo de cabeça judaica, mesmo que seja o maior pecador. Então por que você está vociferando contra mim? E ainda tem o descaramento de pedir que não lhe dê lição de moral, e proclamar orgulhosamente que ‘é errado modificar as pessoas‘ Que novidade! O que você quer dizer? As pessoas são perfeitas? Você próprio é perfeito? Pegue até o povo eleito: não há o que modificar? Não há o que corrigir? Bobagens, Boaz! Nós todos devemos tentar influenciar uns aos outros para o bem. Dar -nos as mãos para não sairmos do caminho. Toda a pessoa é definitivamente o guardião do seu irmão.” (p.176) Amós Oz A  caixa preta  – tradução de Nancy Rozenchan: São Paulo, Companhia das Letras 1993.martelo e objetos

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