verdade ou mentira

O pensamento obsessivo: a ideia de estar/ser presente, inteira ou fraccionada por um evento, uma palavra, ou mesmo uma reação é inacreditável, inacreditável.  Ele escreveu o que eu estava insegura, a esboçar …, e pensava/ e pensei/ fiz anotações. A energia está solta no ar, captamos/tenho antenas. Estranho/ afirmo porque decido ler este e não outro livro. Escorrego pra leitura enlouquecida. Em dois dias devoro, engulo, mastigo a água. Natural que interrompa o livro para anotar/pensar e questionar. Hoje conversei com um amigo sobre a seleção de textos, fazer uma parte do Amoras ser livro, mesmo sem estória, sendo o texto mesmo a narrativa, assim do nada das impressões, e ele me apoiou sem  antes retomar a ideia da autobiografia: ‘começa com tua mãe e teu pai, derrama queixas, mapeia os fatos’. E lá me fui eu a caminhar, ordenar a cabeça para imaginar por onde iniciaria: guardaria recortes de jornal numa pasta específica, dividiria a vida em fatias, comentaria aleatoriamente, depois faria um corpo para o texto. Ou seria ordenado, seguindo um roteiro. Como professora, no magistério do estado, da escola particular, depois da universidade, ordem e coerência, foco era importante, pensei. A memória/ lembrança me atacou dizendo/ questionando:  como seria/foi a minha vida em sala de aula.  E conclui: acho que sempre tirei tudo do lugar, comecei pelo meio, outras vezes pelo fim. E confessava aos alunos esta metodologia anárquica. Imediatamente estávamos unidos/ juntos, e aprendemos simultaneamente.  Isso foi perfeito. Então ler e escrever pensar tem esta coisa misturada. FAZER. A memória da Elizabeth Liza Beth desde o Colégio Divina Providência de Laranjeiras no Rio de Janeiro se ergueu: essa sou eu ainda hoje. Na hora, no momento, no instante de estar viva estou. Não sei explicar. Volto a leitura de Paul Auster depois de tirar fotos de recortes (péssimas) escrever meia duzia de frases pensar e passear no Facebook. Lavar a louça fazer omelete estender a roupa passar meia duzia de fronhas. Começa a escurecer vou tomar um leite com chocolate, amanhã emagreço. Vou ler terminar o livro (estou agarrada) e dormir. Amanhã de manhã começo a autobiografia. E olha o que encontro …. Exatamente o que andei escrevendo por aí para amigos. Não fui eu, foi ele quem já disse: “A vida de uma pessoa é algo inexplicável, eu dizia a mim mesmo, o tempo todo. Não importa quantos fatos sejam relatados, quantos detalhes sejam oferecidos, o essencial não admite ser contado. Dizer que fulano nasceu em tal lugar e foi para tal cidade, que fez isso ou aquilo, que se casou com fulana e teve tantos filhos, que ele viveu, morreu, deixou tais e tais livros, ou essa batalha, ou aquela ponte – nada disso nos diz muita coisa. Todos queremos ouvir histórias e as ouvimos do mesmo modo que fazíamos quando éramos pequenos. Imaginamos a história verdadeira por dentro das palavras, e para fazê-lo , tomamos o lugar do personagem da história, fingindo que podemos compreender porque compreendemos a nós mesmos. Isso é um embuste.  Existimos para nós mesmos, talvez, e às vezes chegamos até a ter um vislumbre de quem somos realmente, mas no final nunca conseguimos ter certeza e, à medida que nossas vidas se desenrolam, tornamo – nos cada vez mais opacos para nós mesmos, cada vez mais conscientes de nossa própria incoerência. Ninguém pode cruzar a fronteira que separa uma pessoa da outra – pela simples razão de que ninguém tem acesso a si mesmo. ” (p. 268-269) Paul Auster in A trilogia de Nova York

A leitura nos ataca assim e agarra pela garganta, sacode. Não importa a idade que eu tenho, o tempo de vida. Preciso começar a fazer ontem …,  e escrever. Elizabeth M.B. Mattos – preciso acreditar e fazer – março Torres de 2018. VIVER é HOJE! Amanhã é um futuro imaginado fantasia que pode até não acontecer. Ah! Como tenho pressa! Beth Mattos

 

Colégio da Divina Providência

 

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