vida por escrito

uma distração da memória repleta até a borda de bobagens, de felicidades insignificantes

Jorge Semprun – A ESCRITA OU A VIDA

A beleza atrapalhou. Exigências e vagares. Não me permitiram chegar …, e a docilidade foi me abafando.  A vida tem ritmo próprio. Desejo fervente agitado e transgressor. O outro lado outra margem, mais bonita. Tantas vezes o mesmo tema. Engolida pelo hábito metódico da quietude. A melhor e a mais solitária das posições.

Não posso nada. Não posso mudar nada; nem posso te tocar. Aquieta coração. Varre a vida desta ventania, aceita a sanção. Castigo ou recompensa, não sei bem ao certo. Tempestade.

Subo os degraus. Na mansarda, o contador. Ambição disfarçada. Menino achado, homem poderoso. Exige atento o meu silêncio.

Árvores pássaros. Magia na água do lago. Portões fechados escurecem o verde que preciso / quero / desejo. Estórias: menino pobre virou rei, menina pobre princesa. Não mais menino, nem menina. As condições primeiras parecem coladas na alma. Escrever é o espelho. Seguramente enxergo/vejo por nebulosidade meteorológica. Não tenho certeza de poder ficar sem te escrever (confesso), ou deixar de te pensar sem ver – te. Não tenho em mim teu corpo, nem o cheiro. Nas mãos o som da voz. Enxergo teu corpo pesado caminhando nu pela casa. Vejo risadas. Xícaras sem pires, manchas de café na toalha. Tua piada amassada no bolo com chocolate, no pão doce recheado de passas e frutas secas. Os dedos melados. Busco os nexos. Estou a escavar para acordar à vida. Dizer/explicar que um amor não anula outro amor. Volto a ladainha do tempo: a história toda de tempo e o tempo das estórias que não sei contar. Cronometro lucidez. A linearidade dos fatos não se ajusta na minha atenção. Internamente tenho tudo em desordem. Caminho por fragmentos. Constato que és tu o meu espelho, com tempo, sem tempo. Estás perto, ao alcance, preso neste jogo.

Talvez eu não compreenda o que me faz procurar / buscar, por anos e anos o nome/ alguém que ficou para trás. Nunca estarei pronta para resgatar os vinte anos, tanto o desejo! Lamento o medo paralisante / ou a audácia. Vejo/ sei do abismo do desejo. Do medo de sair de dentro de mim mesma (tens razão ao dizer que as respostas estão comigo). Ter 50 anos ou ter 70 anos não é tão terrível, nem 80 há de ser, mas estar longe distante longe mesmo do que importa, um enigma. Elizabeth M.B. Mattos / Beth Mattos ainda. Abril de 2018 – Torres

RETORNANDO A ELIZABETH

BIZARRO

Fragmento de uma vida também escrita, também vivida.

Como a tua.

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