eternidade

Pensei que estávamos apenas no começo:

a casa mal-e-mal nos alicerces.

Mas provavelmente estava concluída

e eu não sabia. ” Lya Luft – O lado fatal  – (poemas)

Recado de amor:

“Minha vida mudou muito. Casei -me de novo, com a escritora Lya Luft. (…) A paixão inquieta e dói, seja na carne, seja na alma dos apaixonados, e tem raízes no meu ‘ fatal lado esquerdo’.

O amor é coisa curiosa: por nos aproximar da vida dá -nos uma experiência de eternidade, e por isto mesmo nos mergulha na finitude, para aceitá-la e salvá-la. Morte e amor andam embolados. O amor nos faz famintos de eternidade, e a morte é a porta desse indizível barato.” Carta de Hélio Pellegrino, 1986)

 

 

 

carretel

Obsessiva nas arrumações. Dispersiva memória a flutuar sobre isso ou aquilo. Memória de lembrança. Anistia de tempo. Olho no passado. Alguns recortes. Leio jornais. Não, não sou eu a encontrar citação: a citação me atropela / insiste em se apresentar esparramada, impertinente. Livros invasores a me perseguir. Descabidos, arrogantes e histéricos. Ou seriam esquizofrênicos? “Nikki, quais são suas primeiras palavras? Diga para mim. O quarto de criança que ela voltou num extremo está o quarto de criança; no outro, Paris – o primeiro, um lugar impossível de reaver, o segundo, impossível de controlar. Ela foge da Rússia para se esquivar a fim de se esquivar das consequências do seu casamento desastroso; ela foge de Paris a fim de deixar para trás o romance desastroso. Uma mulher em fuga da desordem. Em fuga da desordem. Em fuga da desordem Nikoleta. Mas ela carrega a desordem consigo – ela é a desordem? Eu era a desordem. Eu sou a desordem” [1]

Mágica a cada página em branco. A estória verdadeira atrapalha pesa, e assim mesmo não me devora, então invento outra para disfarçar. Esquecimento na caminhada matutina a dar voltas, e voltas, voltas ao redor de mim mesma até ficar, levemente, tonta. Sento no banco da praça a lembrar que não sou Nikki, nem Philip Roth, e que tudo o que faço/ produzo é o/um ensaio exaustivo de ser eu, … eu mesma eu mesma, a mesma, desaba nesta aba de roseiras. Atravesso o incrível deserto: a memória.

Quanto tempo fiquei a pensar naquela tatuagem, … estico o braço e vejo carretel fio e aquela audácia festiva. Paris ficou em Paris atravessei apressada preocupa pegando o trem para Limoges. E estava, assim mesmo, em Paris no verão daquele julho esquisito. Inteiro e meu. Penso nos gatos que ficaram a entrar e sair pela basculante, talvez não me esperem. Aliás, ninguém espera por ninguém: apressado viver antropofágico/ mágico.

Pensei encontrar biblioteca e livros cheios de remissivos. Tracei a pesquisa no mapa de quarenta dias. A pintura autobiográfica numa biografia escrita. Desenrolar os carretéis de Iberê Camargo, e pelo fio desenhar um autorretrato possível também meu: penso estratégia. Volto para Henry Miller penso Anaïs Ninn.

Cheguei a Domme. Entrei no Hôtel L’ Oustal de Vézac no meio do vale, com um castelo em cada ponto cardinal. Um sobre Feyrac, Beynac, Marqueyssac e Castelnaud.

Preciso chegar a Rocamadour. Não posso esquecer Rocamadour. E todas as referências se misturavam, atravessam as páginas lidas, e todas as que adivinhei sonâmbula. E.M.B. Mattos – abril – 2018 – Torres

[1] Philip Roth – O Teatro de Sabbath – Companhia das Letras – tradução de Rubens Figueiredo (p.235)

 

deixar de lado

Por que dois passos, porque não pode ser caminhada/ encontro? Eu fico. Não corro perigo. O que é correr perigo?Escolher. Abandonar o que não pode ser deixado de lado.

Penso: tudo pode ser deixado de lado quando não interfere na sobrevivência. Urgente respirar pensar descansar, e ficar tranquila/permanecer. É muito esquisito/estranho o motivo pelo qual eu me inclino nesta, e não naquela outra direção. Famosas carências… e, ainda esta droga de contagem regressiva. Apenas porque tempo, horas bandidas, não estão a me esperar … e eu gosto tanto da vida!, e do mar, e de um bom vinho! Elizabeth M.B.Mattos abril de 2018

Peço desculpas pelo você que de repente se integra numa Beth ou na Liza, ou Lizabeth mesmo, ou More (como eu gostava!) ou Elizabeth

lugar-morada

Estacionada dentro de mim mesmo imagino a velha torre na praia …,  onde o prazer de sobreviver tece encontro particular entre um copo de vinho, uma colher de doce de leite, e um ensopado prazer de estar vivo. Este metódico e módico ato de respirar  pode ser perfeito se o mar for testemunha. O mutante indecifrável prazeroso perigo de águas salgadas. Assim esta torre tem um posto/lugar diante do mar. Morada ideal. Própria a um sonhador de amor. Terei permitidas e proibidas preliminares do prazer a cada amanhecer. Manhãs preguiçosas e abusivas … depois,  depois olhar o mar ou caminhar. Enterrar os pés na areia num arrepio continuado. Águas geladas que acordam  a vida. Elizabeth M.B. Mattos – Abril de 2018 – Torres

Eu Floripa tênis e azul

excesso exigente

GUCCI GUCCI.jpg

Devagar, hora a hora, dia a dia. Mergulho no luxo e no prazer. Memória-lembrança. Esgaçado sentimento. Limite do não aconteceu acontecendo. Explosão de escolhas apertadas. Capricho do excesso exigente. Tanto borbulhar natural. Não disse isso. Perguntei aquilo. Rejeitei, fiz assim, … miúda saudade de conversa pequena de madruga inteira: dançar e rir exigir e querer. Lembrança inchada esparramada. Modena Milão olhos azuis o italiano … tua voz Marco Frignani não esqueço, nem do sorriso. Veludo seda delícia: cerejas naturais. Prudente de Morais mar samba dança Bar Lagoa. Desfiado no melhor este capricho manso do luxo e do amor. Do cheiro, do sorriso da saudade física. Saudade fervente estranha inquieta. Ávida presença-vivida.

a mais linda

Sofisticação torrense. Silêncio pequeno que se esconde gigante. Mar (de amar) a resmungar derramado aos meus pés …  Subindo uma alegria inquieta continuada.

caixa gucci

 

Da caixa salta o passado presente neste outono de luxo.

Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2018 – Torres

Feira de Milão com PANTOCHE

LATTOOG  em Milão

PANTOCHE gigante

ESTA FOTO ESTÁ LINDAAAAAAAAAAAAAA

Domenica 22 de Aprile 2018

JORNAL PEDRo pedro ITALIANO

 

Cadeira premiada faz roteiro internacional

Sucesso!

E eu vibro

 

Abril de 2018

LATTOOG, mais do que a fusão entre os nomes dos sócios, o arquiteto Leonardo Lattavo e o designer Pedro Moog, é a proposta de uma experiência inovadora em design e arquitetura, marcada pela pluralidade de duas formações diferentes mas complementares. O que entre 1998 e 2003 era apenas um hobby, um exercício de criatividade que se inseria nas atividades artísticas da dupla, – que incluíam também pintura, escultura e desenho –, torna-se oficialmente, em 2004, sua principal ocupação.
Os produtos Lattoog têm o mérito de aliar o racionalismo das tecnologias de ponta à intuição, poética e subjetividade dos objetos de arte. O resultado: peças funcionais com linhas harmônicas, ora orgânicas e sinuosas, ora geométricas e rascantes. Utilizando elementos valiosos à nossa cultura, como tacos de madeira, azulejos estampados, gradis das casas de subúrbio, e os grafismos dos calçadões de pedra portuguesa, a Lattoog abre caminho em direção à internacionalização do design brasileiro sem perder sua ginga carioca.
Um movimento similar ao conceito de “antropofagia cultural” de Oswald de Andrade, impulsiona os criadores Lattavo e Moog. As influências externas, longe de serem negadas, são “devoradas e transformadas em cultura brasileira e revolucionária”. A série “Viralatas” traz móveis híbridos, união de dois que resultam num terceiro, diferente e único, trazendo mais uma vez a marca brasileira da miscigenação e mistura. A primogênita desta série – a poltrona Pantosh, já é um clássico e materializa essa ideia de hibridismo surgindo a partir da fusão de duas outras peças.
No processo criativo, o desenho a mão é a base principal de quase todos os móveis da empresa, apoiada por experimentações em chão-de-fábrica e uso de diversas tecnologias digitais. Como define Leonardo: “não somos especializados em marcenaria, metalurgia ou estofaria, somos especializados em bom desenho e boas ideias”.

LEO E PEDRO PANTOCHE

PEDRO E LEOOOOOOPANTOCHE

Pantoche com o PEDRO

 

PANTOCHE NOITE

Exposição em Milão casas de passarinhoooooo

se eu te digo

…,se eu te explico/digo que sinto ao te pensar, bem, não digo. Já vermelho em fogo tu estás. Se eu te digo o que me ocorre neste longe, não virás. Insaciável desejo de apaixonar. Estou Estás, ela também Está Estamos. Sorrindo.

Se eu te digo o que sinto a te pensar estremeço com beijo no meu beijo teu beijo a me abrasar. São rimas de brincar. Encontro o teu olhar! Lá estás a me espiar. Vento de/em Torres – Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2018

Solilóquio

Mas não tem importância,

aqui estamos nós

outra vez… À distância,

eu sei, mas ainda a sós.

Que importa, eu nunca fiz

sonhos de perspectiva

e uma chaga furtiva 

vale uma cicatriz.

E ainda que não houvesse

nem uma nem outra,

quem muito busca encontra:

tu vens, tu me apareces. Bruno Tolentino – As horas de Kathalina

MARAVILHOSA FOTO sabine

Desenho – Nick Bantock – artista plástico, ilustrador e criador de Griffin&Sabine

charlatanice

Num mundo onde tudo precisa ser instantâneo, rápido, sem esforço sem observação sem investimento de mim mesma no que faço, e sem odor, … algumas pessoas escavam (ou abstraem) alguns pedaços da teoria de alguém, e. Pois é. Alguma ferramenta conceitual, e passa / apresenta / descreve como salvação. Isso é charlatanice. Estendo, pessoalmente, este estado de coisas ao amigo que se propõe  amigo, e se esconde. Permanece camuflado. Isso me  i n t r i g a. Escolhas acomodadas. Ou fáceis. Porque dois passos, por que não pode ser caminhada / encontro? Eu fico. E não corro perigo. O que é correr perigo? Escolher o importante. Abandonar o que pode ser deixado de lado. Penso: tudo pode ser deixado de lado quando não interfere na sobrevivência. Urgente respirar pensar descansar, e ficar/permanecer vivo. Dessa maneira, me coloco em apuros, (dentro de mim e também com as outras pessoas, e às vezes com um vaso ou uma panela; ou deixo as coisas caírem, ou queimo os dedos, ou alguma outra coisa, ou acontece algo impossível, como jogar fora uma carta que eu queria muito guardar, ou rasgar páginas de manuscrito quando nem sequer cheguei a ler, nem sei o que dizem. É muito esquisito / estranho o motivo pelo qual nos inclinamos nesta, e não naquela outra direção. E as famosas carências… e ainda esta droga de contagem regressiva … por que o tempo, estas horas bandidas não estão a me esperar … ,e eu gosto tanto da vida, e do mar, e de um bom vinho! Elizabeth M.B.Mattos abril de 2018

Eu gostaria que você não se levasse tão a sério a ponto de ter que fazer algo de risco, e  ou não fazer, apenas se esconder. Isso soa como o meu amigo, a voz. A voz penetrou nas palavras enquanto elas se escreviam. Você não pode ouvir a voz com a qual as palavras foram escritas. Quando você as ler, estará lendo as minhas palavras com a sua voz, e me dirá o que eu disse. A voz é a sua própria então, escute, não diga para mim.

Peço desculpas pelo você que de repente se integra numa Beth ou na Liza, ou Lizabeth mesmo, ou More ( como eu gostava!) ou Elizabeth

MARAVILHOSA FOTO sabine

 …, parte do desenho/ cartão da trilogia de SABINE

queixumes introspectivos

Sabine/ Eu estava agarrado à lógica como um salva-vidas. Agora, num piscar de olhos, estou tentando seguir minha intuição. Vejo o reflexo de um samurai no vidro de um quadro e viajo para o Japão – a razão foi descartada e vou para onde as vozes do momento parecem me levar. Sou o bárbaro que espreita os templos de Kioto em busca da antiga sabedoria; me afogo na estética, esperando que ela purifique o observador. Estes são meus queixumes introspectivos. Sou uma criança mimada –  por que não consigo crescer ? Pergunto sinceramente. Se você souber a resposta, me diga. Se eu pudesse desenhar o que sinto por você, eu desenharia. Com amor Griff

ADORO vocÊ SABINEEEE

 

boa foto sabine.jpgfragmento carta sabineLINDA FOTO sabine

Griffin – a ideia de universos paralelos é grandiosa demais. Isso eu sinto, é algo mais pessoal: nossa tenacidade está sendo posta à prova. Se resolvermos nosso problema, ganharemos um ao outro como recompensa. Eu adoro você. Sabine

 

Na qual  A EXTRAORDINÁRIA CORRESPONDÊNCIA de Griffin&Sabine Continua

 

Eu te sinto perto.