uma carta de 2005 para PHFilho

7/10/2005 PORTO ALEGRE, cinzenta outra vez, como eu gosto.

Li a crítica ilustrada, pois consegui participar dO 12 PORTO ALEGRE EM CENA.

Obrigada. Hoje mesmo farei seguir o texto ao Tavares. Da minha parte, enterro a cabeça no que chamo “minha ignorância” e a tendência a nada escrever. Releio o teu bilhete: “diz se funcionou”. Funcionou.

Dia 9. Os Negros:inovadores e caprichados, já um impacto”, “ amplo elenco dá o recado” depois o que diz GENET ”isso basta”. A crítica? Um “roteiro mais lógico” formar e apresentar a dificuldade de deixar redonda a fala/idéia de Genet: gostei do resultado que tu apresentaste: “Tá bonito, mas onde vamos chegar? Não chegaremos, é isso aí”. Concluíste com o importante: “Peça de Genet é assim, um derrubar de ídolos, idéias, criaturas. Pode-se achar que para que o próximo passo, no teatro e na vida, seja mais verdadeiro, superadas as ilusões”. Genet precisa ser conhecido do público. Que a água/gente atravesse o esgoto e que as pessoas saiam limpas, úteis do outro lado do cano. E eu me pergunto, será que ele pretendia isto? (Coisa esquisita eu escrevi aqui.) Ler e ficar mesmo entre o dito e o não dito. Reler e ver é passar pela “coisa” outra vez e reescrever só para nós mesmos. Estamos em “as pessoas se entredevoram”. Entenderão? Ou apenas se sentirão fedidos e indignados? Colocaste o PONTO DE INTERROGAÇÃO.

 

Adorei o poema El tiempo de um silencio.

 

O tempo de um silêncio pode ser tudo, não tem fundo.

Dou-me o tempo de um silêncio e sou mais eu. Ou menos?

Até que ele me diz, ou eu me digo, fim, e zero a zero.

 

Isto é PHF “… trata-se do horror após a separação de um casal. E não é que atingem mesmo esse horror com arte! ” É isto: “E soberbo”. Lamentei não ter assistindo. Estou sempre presa nas minhas próprias separações e fechada ao mundo. Ler PHF é ouvir, ver, sentir sem sair do quarto. Bom mesmo é estar a ler o que escreves. Repetir o que escreveste: “A fotografia, excelente, respira em belas imagens rurais…”. Exílios, o filme francês. E ou então sobre o que escreves sobre

Howard consegue transmitir a vibração do boxe, um esporte que, a sério, torna praticamente direta a luta pessoal pela vida” Este filme eu vi, maravilha, e lutei com ele no ringue: menina. E tu estás em Beckett abrindo os livros, o autor, o teatro, resumes o texto e ainda diz: “estamos todos nos afogando, ninguém pode ajudar ninguém. Beckett não faz por menos e no entanto não há só a vida humana, há uma civilização, onde é verdade não conta pouco a poesia que ele encontra na angústia do vazio”. Deveria eu seguir um por um os dias todos dos espetáculos e comentar. Passar por eles em palavras, mesmo que citando o já dito. Meu limite. Que bobagem! Sempre que te colocas, “tornando intensa a sua própria personalidade” O. Wilde, a tua voz é ouvida no contexto texto. Exato o que pretendes.  Funcionou. E com gentileza escreves: “Você é poesia sem esquecer a mulher” para Tutikian. E eu, curiosa, fico pensando e querendo ler a carta toda que não é para mim. A frase já diz. O quê? Houve precisão e participação. Do último espetáculo saíste agraciado por mais um eterno amor. “E antes que o tempo morra nos meus braços, volto à seleção de filmes franceses QUARTAS LOUCAS, de Pascal Thomas. Uma glória. ”. Meu querido, vou tentar encaminhar para o Tavares e ver se ele escreve, – se é que deseja entrar mesmo em contato, às vezes, palavras são apenas palavras. A vaidade, seguidamente, corta fios. Vamos ver!!!! Sou amarga e seca. Eu sei. Gostei de receber notícias do mundo inteiro através de PORTO ALEGRE EM CENA. E, tens razão quanto às perdas do espanhol, castelhano ou sei lá como nomeiam estas línguas todas nossas parentas distantes, ou próximas. Línguas difíceis, justamente, pelas semelhanças e a ideia falsa de que podem ser compreendidas sem estudar. Como? Sequer compreendem o português. Ora!!!  Ver “os ataques à tevê, professores e críticos”.

Se ninguém ainda aprendeu a nadar por falta de professores, informações e críticos, morreremos todos na santa ignorância da benta água, incompreendida, como a mesma santa água que misturam na farinha, e cozinham em forno à lenha as pizzas desta nossa boa política. Assim seja! Foi publicado? Onde este teu trabalho? Sigo pousada num bom lugar. Como aquela pomba do poema do Carlos D. De Andrade. Coisa de egocêntrica e preguiçosa: nada faço, espero. Espero que o tempo passe. DURMO e não repouso. Vou ao correio agora. AH! Adorei teres adotado o Xavier Marques: vou contar para o Roberto que faz ou já fez um trabalho sobre estes autores de 1800. E tudo em ti é vida e trabalho. Terei outra vida? Um beijo com saudade. Beth

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