Para quem sabe inspirar amor apesar do medo de amar

O meu corpo despertou inteiro. Devo te escrever uma longa e demorada carta de amor. Exausta insone o desejo borbulha retalhado. Imagino/quero teu corpo. O beijo. Emoção. Necessidade premente: bênção. Pecado. Desejo e pecado. Inferno cego. Sinto na pele tua voz a dizer explicar agarrar. Estou em ti sem nada saber. Que seja possível real apenas estar em ti. Eu não te sei eu te sinto. Todo o meu dia gira em polir e perfumar cada canto da casa na esperança de que possas, sem avisar, entrar e derrubar/terminar com a fantasia louca de te amar em ausência. Eu te quero em mim, e eu me quero no abraço. Possuindo possuída. Todas as cartas de amor são ridículas já escreveu Fernando Pessoa, e não seriam de amor se não fossem ridículas. Noite da noite. Teus braços. Da minha transformação o melhor. Do teu desejo o assombro. Eu te concebo eu te descrevo. Cheiro e suor. No pedaço humano amoroso de amar. Sou tu és o meu Eu. Na água dos meus teus banhos. No cheiro/perfume: nós dois. Nas passadas do dia. Na alegria nas repetidas inquietudes transparentes. Perguntas/questões, as nossas. Grito voz sussurro. Dor desespero prazer. Assim como chegas vais sair devagar quieto manso meu. Quero tempestade chuva vento trovão. Quero o vinho seco gelado: embebedar-me no teu prazer. Tocar o corpo. Amar devagar sem medo. Noites que amanhecem. Teu meu teu meu marcado corpo. Apertado acarinhado. Não meu querido amado, vou apenas te escrever uma carta cheia de ponderações lógicas. Segurar o medo e derramar a voz. Sussurrar. Não posso nada. Não sou nada. E se te parece louco desvairado sentir, … eu te digo, impróprio é viver. Sinto a força do silêncio no corpo. E eu te beijo devagar cansada devagar voraz devagar inquieta devagar sinto. Não importa amanhã. Nem quero saber se gosto ou não gosto do jogo de futebol que não vou mesmo assistir. Esqueci o que sabia, não sei. Quero a preguiça de estar e de te esperar. Quero o silêncio apertado. Corpo colado no meu corpo. Desperto alerta deste sono sonho, sono. Revivo viva e te gosto. Não durmo. Droga! Não estás aqui e os reis não trouxeram nem ouro mirra ou incenso. Saíste tão rápido como entraste. Estás outra vez voltando já saindo. Som velado das minhas tuas atropeladas palavras. O trabalho consome a família rasga. Sonho guardado. Agoniza acomoda a tristeza real. Não…não fecho o círculo. Vou deixar minha mão na tua mão. E.M.B. Mattos – maio de 2018 – Chuva forte e frio e tu e nós.ESTOU DE COSTAS OLHANDO UMA ESCULTURA LINDA foto

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