sensação estranha

Que loucura! Que sensação estranha! A vida numa corrida galopante e a exaustão tomando conta de toda a minha cabeça transformando o raciocínio num labirinto …, em busca do Minotauro. Não, mais um vez ao terapeuta: o sonho, a mesma inquietação, o regate definitivo: ir a França eu mais eu e eu, nunca foi a Elizabeth. Estou embarcando via Varig dia 11  de julho direto para Paris e retorno no dia 27 de julho Paris Porto Alegre. Tudo desejado, planejado. Tua carta chegou neste pacote de excitação e turbulência. Estou, como deves saber, em recuperação de grau, e na próxima semana, exames. Alunos acanhados decepcionados. Outros atrevidos e agressivos. Os corredores cheios. Hipocrisia no ultimo sorriso. Voltam os desastres de sala de aula. Uma palavra, solução e o resultado. Fico atordoada. Sensação estranha! Anjos e espíritos agitados confabulam para que eu siga em frente sem medo. E tu que já me sabes um pouco. seja pelo não confessado, seja pelo que escrevo sentes em cada corrida o medo de ser eu, e eu e eu. Invoco os santos e quem amo. Fecho o círculo e me protejo de mim mesma. Quisera que a vida nunca terminasse, oxalá pudéssemos estar uns nas mãos dos outros abraçados. Tão abraçados que sentiríamos as voltas do corpo do outro enfiadas nas voltas do nosso corpo; seria um beijo permanente como corrente, prisioneiros. Condenados ao abraço. Encarcerados neste prazer suado. Elizabeth M.B. Mattos – 1999 Porto Alegre – fragmento de uma carta

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