sem hora para nós

L., meu amigo, meu querido. Quantas vezes sentei para escrever! Muitas. Algumas cartas chegaram, outras não; algumas mandei, outras ficaram envergonhadas. Nas últimas vezes que nos falamos estavas próximo, disseste coisas importantes sobre eu mesma – … e, eu sempre a fugir de quem sou, como sou, escondo/ ou derramo carência, deficiência. Não sei o que pode ser; nestes anos tantos, e todos que nos conhecemos aprendi uma coisa a nosso respeito: em crises / nas crises preciso de ti, e como! e muito! Explicar? Não sei. Sempre conversamos. Sempre conversaremos. Acho que é isto: de alguma forma nos dissemos as coisas sentidas … De repente, surge uma urgência em te ver, em querer saber de ti e perguntar não sei exstamento o quê. Ou uma coisa idiota como: quem eu sou? Tu podes me contar? Quero um tempo grande, comprido, sem hora  para nós dois, maior do que qualquer um que tenhamos tido nestes sessenta anos. (Tínhamos 10 anos, ou nove anos, ou oito quando nos conhecemos?) Sempre coloquei barreiras, por quê? Ah! Se tu pudesses ter/agarrar o tempo! Se eu chegasse nesse tempo! Se eu tivesse certeza que queres conversar/falar, e estar um pouco junto … ter certeza. Querer. Acho que estou sempre importunando, impondo presença. O telefone desligou duas vezes e quase não ligo mais, … achei que estavas aborrecido com a insistência! (bom escutar tua voz, o timbre seguro forte). Quero te ver, coisa de menina. E já estou velha, mas tenho reações estúpidas; como se a vida tivesse me dado um grande e permanente e contínuo susto. Lembro da rua Vitor Hugo, e dos filmes que não vimos juntos. Da tua presença sinto carência de abraço. Carência que  não termina, fantasia, amizade-amor, irmão e a tal saudade. Sempre me  fazes falta e, paradoxalmente, sempre estás comigo. Tudo.

Vontade de rever as pessoas que me envolvem. Por que tenho medo delas? Por que nunca estou pronta? Oxalá me telefones no meio da noite, agora, quem sabe estás insone como eu, ou amanhã de manhã, … ou qualquer hora. Oxalá te possa ver no próximo domingo, ou no outro …, ou que venhas a Torres. Ou que possas existir perto, mais perto. É tão triste não ter o outro lado da referência … Preciso guardar amigos. Rir e chorar junto. Que eu não me perca de ti, e que tu possas esticar a mão e me alcançar. Tu sabes o quanto sou tua. Tu sabes. Beth Mattos ( Torres, quinta-feira – 11 de março de 1999 ) –  Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro Torres de 2018

Sem Título-16

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