Vai aumentandOOOO encantamento percepção e música. A maleta do meu pai de Orhan Pamuk, um presente. Feliz indicação: Flávio Xavier


Vai aumentandOOOO encantamento percepção e música. A maleta do meu pai de Orhan Pamuk, um presente. Feliz indicação: Flávio Xavier


Quero um ramo de miosótis: mas, por favor, não vás morrer! Não suportaria! Posso estabelecer um paralelo: este inverno gelado, insistente, inexplicável. É como te perder, não posso permitir. Vou me afogar congelar no verão sem te esquecer. Não importa nada ….M.B.Mattos – agosto de 2018. Do todas as histórias possíveis e incontáveis estar ao eu lado é a melhor Emagrecer, cuidar, sorrir e te encontrar. Um beijo que te consuma …
“A ideia das páginas desaparecidas não tinha saído a contento, e ele a arquivara e esquecera.”
Não desisto. O fantasma gente/pessoa segue fazendo o dia continuar caminhar seguir sem interromper, nem por um minuto, a ideia errada ou nova ou estranha se forma dentro de mim. Vi o ninho bem perto da janela, e eu penso no invisível que é o outro, e digo bom dia. Converso com quem está na calçada, abraço a filha. Faço caretas de desgosto porque não vou viajar. Deveria. O dia está lindo. Lindíssimo. “Agora, porém, ele se deu conta de que poderia dar a essa historinha sobre uma guerra entre linguagem e o silêncio um significado que não era somente linguístico; percebeu que a história ocultava em seu interior uma parábola sobre liberdade e tirania cujo potencial finamente compreendera. A história estivera além dele, por assim dizer, e agora sua vida pessoal o alcançara. (p.166) Salman Rushdie – Joseph Anton Memórias. Estou a misturar leituras, da mesma forma que misturei emoções genuínas de cada filha, de cada neto, me mostro incapaz de compartilhar e festejar o conjunto. O conjunto a particularidade são os bordados necessários únicos e eu, eu deveria decifrar e abraçar. Desaparece de dentro de mim a coragem de me sentar silenciosa e escrever. Escrever pode ser pintar pintar borrar, jogar tanta tinta em cima sem cuidar do que esconde, e nada definir. Incapaz, espichada, fraca, tropeçado. Priorizo a dor na perna esquerda, o silêncio, três livros abertos, uma voz fantasma, e sou eu a pedir perdão. Que seja perdoada. E leio releio leio A MALETA DO MEU PAI de Orhan Pamuk, – Flávio Xavier tem razão.
“Escrever é transformar em palavras esse olhar para dentro, estudar o mundo para o qual pessoa se transforma quando se recolhe em si mesma – com paciência obstinação e alegria”. (p. 13) Orhan Pamuk – A Maleta do meu Pai
O que me atrapalha é este carência-fantasia – que me faz uma idiota apaixonada insistente, desvio do sério do que de fato importa para brincar com carrinhos miniaturas bolas de gude, e comer balas …, a vida é séria, um ia/ e termina, logo vou me dar conta. Elizabeth M.B.Mattos – agosto de 2018 – Torres

Fôssemos infinitos
Tudo mudaria
Como somos finitos
Muito permanece
Bertolt Brecht
de repente envelhecer é chato, muito chato, quase deprimente. E uma fotografia pode causar um prejuízo enorme, ou …, resolver. A pensar. E.M.B. Mattos – agosto 2018
Te amo tanto! (o que me escreveu uma filha) Pode ser melhor do que isso? Tudo que eu possa escrever não significa nada. Existe apenas este sentir leve alegre e solto que corre … Tão bom te amar! E tu sabes desta alegria … E este encontro está dentro de mim. Solto às escuras. E tão iluminado! Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2018 – Torres
“…, escrever pode ser tua fumaça azul! Blind date! “

Carlos Drummond de Andrade – BOCA de LUAR – Carta de Amor – (p.147-149)
” Estou pensando seriamente em declarar greve de mim a você, por tempo indeterminado. Não me pergunte os motivos. Você sabe. Ou é melhor que não fique sabendo, porque assim a greve é mais completa, e eu quero justamente se um grevista mais total do que os outros grevistas que brigam por salário descente e condições decentes de trabalho. Quero que você fique perturbada e confusa, sem saber o que eu estou fazendo ou deixando de fazer, e a todo instante a se perguntar: ‘ Que greve é esta? Em que consiste? Quando vai acabar? Que coisa mais idiota? (p.147) C.D. de Andrade
Encontro às cegas (também denominado encontro às escuras ou blind date) é um ato de socialização desenvolvido entre duas pessoas até então desconhecidas. Comumente estas pessoas são reunidas por um ou mais amigos em comum para se conhecerem e potencialmente desenvolver um envolvimento amoroso.Até o momento do encontro as duas pessoas ou não se conhecem ou desenvolveram pouco ou nenhum grau de afetividade. A prática do “encontro às escuras” pode ser intermediada não apenas por amigos, como também por profissionais especializados em identificar as semelhanças no comportamento das duas pessoas e reuni-las.
“Não existe o que se chama vida normal. Ele sempre simpatizara com a ideia dos surrealistas de que o hábito embota nossa capacidade de sentir o quanto o mundo é extraordinário. À medida que crescemos, nós nos acostumamos com o jeito como as coisas são, à cotidianidade da vida, e uma espécie de poeira ou película nos tolda a visão, e com isso nos escapa a natureza verdadeira, miraculosa, da vida na Terra. A tarefa do artista consiste em remover essa camada que nos cega e restaurar nossa capacidade de maravilhamento. Isso lhe parecia correto; mas o problema não decorria só do hábito. As pessoas também sofrem de uma forma de cegueira opcional. Fingem que existe o que se considera normal ou comum, e essa é a fantasia pública, muito mais escapista do que a maior parte da ficção escapista, e dentro dela as pessoas se escondem, como que num casulo. As pessoas se escondem atrás de suas portas, na zona oculta de seus mundos privados, familiares, e, quando pessoas de fora lhe perguntam como vão as coisas, respondem: está tudo bem, não há nada de novo, tudo normal. Contudo, no fundo todos sabem que atrás das portas as coisas raramente são rotineiras. No mais das vezes, a enfermidade está à solta, visto que as pessoas lidam com pais furiosos, mães alcoólatras, irmãos ressentidos, tias loucas, tios libidinosos e avós decrépitos. A família não é a firme fundação sobre a qual o edifício da sociedade se apoia, mas se situa no âmago sombrio e caótico de tudo quanto nos aflige. Não é normal, mas surreal; não é rotineira, mas cheia de agitação; não é extraordinária, e sim bizarra. […] ‘Longe de ser a base da boa sociedade, dizia Leach, ‘ a família, com sua privacidade estreita e seus segredos chinfrins, é a fonte de todas as nossas insatisfações.“(p.105-106) Salman Rushdie – Joseph Anton MEMÓRIAS – Companhia das Letras – São Paulo 2012 – Tradução de Donaldson M. Garschagen, José Rubens Siqueira
Noite linda! Beleza no céu.
Compulsão vício, não sei explicar. Aparentemente inofensivo. Solitário mesmo quando me penso / imagino ser povoada. Hoje eu me extasiei com a cascata de jasmins que vi pela janela …, e me alegrei. O dia não precisava nem de livros nem de escritos, apenas ficar olhando … Viciada abri o livro de Rushdie. E transcrevo. Outro vício.
“Foram dias amorosos, uma espécie de retorno a inocência.”
A palavra amorosos me deu amorosidade. Voei para perto de quem amo de quem gosto de quem eu sinto, e tudo se interrompeu: o dia o tempo a leitura. Entrei no prazer gosto gozo. Não posso explicar.
“Ele deixou a Índia sentindo-se repleto: carregado de ideias, argumentos, imagens, sons, cheiros, rostos, histórias, sensualidade e amor.”
E pensei em todos os lugares onde morei. Também nos que deixei para trás …. Recomeçar. Para recomeçar precisei apenas de mim mesma. Ainda estou inteira, e isso é bom. Rushdie se reencontra com o pai.
“Anis segurou a mão do filho e murmurou: ‘Eu fiquei zangado porque cada palavra que você escreveu era a mais pura verdade.’
Nos dias que se seguiram, eles recriaram o amor mútuo, até que ele aflorou, estava ali de novo, como se nunca tivesse se perdido. Na magnífica série de romances de Proust, o objetivo é recapturar o passado não pelo prisma distorcido da memória, mas sim como ele era. Foi isso que eles fizeram com o amor. L’amour retrouvé. Uma tarde, ternamente, ele pegou um barbeador elétrico e barbeou o rosto do pai.” (p.89-90)
Senti vontade chorar. Lembrei das inúmeras brigas com a minha mãe. Na última, não tive tempo de segurar sua mão. Ela morreu. Eu continuo viva. “Foram dias amorosos, uma espécie de retorno à inocência.” O vício dividimos ela e eu. Viciadas em livros na beleza no amor, nas longas e compridas conversas de dizer … Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2018 – Torres num inverno frio, frio / gelado.
Arte imita vida, mas a vida sempre supera a arte, – repetido chavão. Penso exposição! Exposição da figura do sentimento: expor-, mostrar como sou, objeto coisa, objeto homem. Quando há exposição estamos sujeitos ao julgamento. Expor é permitir que o outro veja, analise e acrescente através da sua sensibilidade, percepção. Evidente ao primeiro olhar ou a muitos olhares …, e surge outro detalhe. Falta coragem para nos mostrarmos por inteiros. Escondemos através de um símbolo, de um recuo, e nunca nos despimos. Temos medo de dizer se um quadro, um desenho, uma expressão é ou não bonita, boa …, pouco de verdade, muito de passado, de ideia. De repente escrever pode ser desnudar. Dizer é exposição. Angustia transborda. Palavra atropela, queima, adoece. E o sentimento, tua mão. Desperto …, acordo. Beth Mattos – agosto 2018